Safras prevê safra menor no Mercosul em 2005/06

Analistas da SAFRAS & Mercado acreditam em produção total de 12,9 milhões de toneladas na próxima safra entre os países do Mercosul.

A crise vivida pelo setor orizícola no Brasil atinge também os países vizinhos, e neste ano as expectativas apontam para redução de área também no Uruguai e Argentina. Em valores relativos e absolutos, a queda de área nos vizinhos será bem menor do que a que provavelmente ocorrerá no Brasil, mas mesmo assim, o resultado final será significativo. As informações constam na
publicação quinzenal de SAFRAS & Mercado, elaborada pelo analista Aldo Lobo.

No Uruguai, apesar dos produtores estarem contentes com um preço próximo a US$ 8,00/50kg de arroz em casca, o que seria algo em torno de R$ 18,50, existem rumores de que os mesmos irão reduzir um pouco a área neste ano, pois assim como
ocorre no Brasil, há dois anos o setor passa por dificuldades e alguns começam a demonstrar descontentamento com os preços do cereal.

Igual situação ocorre na Argentina, pois os produtores demonstram
insatisfação para com o arroz e alguns pretendem migrar para outras culturas. Neste país as alternativas para a safra de verão são basicamente as mesmas do Brasil, ou seja, soja, milho e/ou algodão. No Uruguai, a maioria dos produtores das regiões próximas à fronteira com o Brasil passam pela mesma situação dos
produtores gaúchos, pois por causa do tipo de terreno da região, não há outra alternativa senão o arroz.

O plantio ainda não começou nos países vizinhos, mas os números iniciais apontam para uma redução de aproximadamente 3% na área plantada no Uruguai e algo em torno de 6% na Argentina. Sendo assim, a área ocupada com arroz nestes países cairia para 185 e 155 mil hectares respectivamente. O rendimento médio
estimado neste primeiro momento é um pouco menor do que o conseguido no ano passado, principalmente por causa de fatores climáticos, uma vez que na safra passada o clima foi favorável para o desenvolvimento das lavouras.

Na Argentina, a produtividade média deve ficar em torno de 6.000 kg/ha, sendo que no Uruguai o rendimento deve ficar também próximo à este patamar. O resultado disso é uma redução pequena de produção, se levarmos em conta a que provavelmente irá ocorrer no Brasil. A Argentina deve produzir cerca de 930 mil t (6,6% a menos do que no ano passado) e o Uruguai algo em torno de 1,11 milhão de t (4,2% a menos do que na safra 2004/05). Somando a produção de Brasil, Argentina e Uruguai, teríamos um valor próximo a 12,96 milhões de t, cerca de 12% a menos do que na temporada anterior.

O consumo interno dos dois países deve apresentar pouca alteração, e sendo assim, teríamos um excedente exportável próximo de 1,5 milhão de t no Mercosul, sendo que deste volume, 500 mil t seriam disponibilizadas pela Argentina, 950 mil t pelo Uruguai e 50 mil t pelo Brasil. Levando em consideração que o Brasil
provavelmente precisará importar pelo menos 1,4 milhão de toneladas no ano comercial 2006/07, o qual se inicia em março de 2006, teríamos que importar cerca de 200 mil t de outras origens, uma vez que o excedente de Uruguai e Argentina destinados ao Brasil, somados, totalizam cerca de 1,2 milhão de t.

Contando com uma oferta total (estoques iniciais, produção e importação) de 16,1 milhões de t, um consumo total de 13,5 milhões de t e um excedente exportável total de 1,5 milhão de t, teríamos um estoque final próximo a 1,18 milhão de t no final do ano comercial 2006/07. Em suma, caso todas estas previsões de confirmem, significa que só teremos preços em elevação a partir da
metade de 2006.

Caso a redução de área no Brasil seja bem maior do que o esperado, ou caso ocorra alguma quebra significativa de produção, ou ainda se a crise política brasileira se agravar e fazer o dólar voltar para valores próximos a R$ 3,00, deveremos ter alterações positivas nos preços do arroz em um período mais curto.
Mas se tudo correr normalmente da forma como colocado, a
expectativa é de que os produtores brasileiros só voltem a ter lucros com oarroz a partir da metade de 2006.

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