Semana de mercado lento para o arroz
A primeira semana de 2006 teve movimento lento e pequena movimentação tanto pela indústria quanto por parte dos produtores. A oferta praticamente inexistiu e a indústria e o atacado seguem sem movimentos importantes
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A comercialização de arroz em casca, e mesmo beneficiado, iniciou 2006 da mesma maneira que terminou: com baixa movimentação e com o varejo e algumas indústrias apenas repondo estoques de giro rápido. Os produtores gaúchos e do Mato Grosso, estados que detêm os maiores estoques no Brasil não estão ofertando o produto em volumes significativos. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul é pequena a movimentação, com algumas indústrias até ajustando para baixo os preços para o arroz em casca. Outras mantiveram os patamares apostando em uma leve recuperação de preços em janeiro.
O arroz padrão para tipo 1 (58% de inteiros) é cotado entre R$ 19,50 e R$ 22,00 no Rio Grande do Sul, dependendo da região, da variedade e das características de mercado. O parboilizado alcança R$ 21,00 em algumas regiões, mas trata-se de preço bruto para o produto colocado na indústria em Camaquã ou Pelotas. Em Cachoeira do Sul o arroz padrão é cotado a R$ 21,50 (posto na indústria) e até R$ 21,00 livre, por falta de oferta de boa qualidade. Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Dom Pedrito, Uruguaiana, Itaqui e São Borja estão pagando de R$ 20,00 a R$ 20,50 para o saco de 50 quilos com 58% de inteiros. As variedades nobres BR IRGA 409 e IRGA 417 alcançam R$ 21,50 (livre) em Itaqui e São Borja e R$ 22,00 no caso de 60% de inteiros acima. No Litoral Norte do Rio Grande do Sul o arroz com 63% de inteiros ou mais consegue preço de R$ 24,00 no caso das variedades nobres.
Apesar de mínima a oferta, quase a totalidade é de arroz com até 3,5% de amarelo ou produto de baixo percentual de inteiros (40% a 48%) para parboilização. A expectativa é grande para a movimentação do cenário na próxima semana. Os produtores acreditam que as indústrias sairão para comprar produto e a indústria aguarda a confirmação de demanda dos atacadistas e indústrias de São Paulo, principalmente.
VOLUME
Apesar do movimento bastante lento, há confirmação de pelo menos um negócio de volume expressivo fechado por uma empresa da Fronteira-Oeste com a indústria catarinense. Arroz para parboilização foi negociado a R$ 19,50 (livre), enquanto a indústria gaúcha opera abaixo deste valor. Santa Catarina praticamente não tem mais arroz em casca para comercializar até a safra.
Confirmou-se, nesta quinta-feira, a rejeição, por parte de um produtor da Fronteira Oeste, de oferta de R$ 24,00 por saco de arroz de variedades nobres e com mais de 58% de inteiros. A oferta foi de uma indústria paulista interessada na compra de 50 mil sacos de produto com esta qualidade. O produtor quer R$ 25,00.
MATO GROSSO
No Mato Grosso, a semana foi bastante fria. Há procura de produto de maior qualidade pelos cerealistas, principalmente por arroz Cirad para mistura na safra. Negócios em baixo volume foram confirmados com Cirad de 50% de inteiros (60kg) a R$ 16,50 posto em Cuiabá. Produto de 45% de inteiros foi comercializado a R$ 15,50 (CIF Cuiabá). O arroz Primavera apresentou queda nos preços por falta de procura e também de qualidade no produtor. É cotado entre R$ 19,50 a R$ 20,00 posto em Cuiabá esta semana. Mas sem oferta de produto branco e com boa massa. Predomina no Mato Grosso a oferta de arroz com defeitos e baixo percentual de inteiros.
O corretor Jorge Fagundes, da Futura Cereais, acredita que a partir da próxima semana haverá uma movimentação mais intensa no mercado do Mato Grosso. Tanto com procura dos cerealistas quanto com aumento da oferta dos produtores, principalmente para abrir espaço nos armazéns para a safra nova. Deve também ser colocado no mercado arroz de melhor qualidade, que deixou de ser usado como semente na safra. A demanda por Cirad deverá aumentar, com boa valorização para produto superior. O mercado aposta na pequena brecha em que o Mato Grosso vai estar colhendo (fevereiro) e o Rio Grande do Sul ainda não terá volumes significativos de produto da nova safra, para aproveitar uma recomposição de preços.
Por falta de logística de armazenagem e secagem, há uma grande expectativa de venda de arroz verde no Mato Grosso, principalmente para a indústria de parboilização. Há também negócios previamente agendados na região de Feliz Natal, cotando o Primavera com mais de 50% de inteiros na faixa de R$ 24,00/R$ 25,00. Os volumes ainda são pequenos, mas definem um parâmetro de preços. O alto estoque de passagem da safra passada, no entanto, poderá interferir nesta tendência de alta. A indústria prefere o arroz velho ao novo para beneficiamento.
BENEFICIADO
O mercado do arroz beneficiado operou esta semana numa política de reposição. A indústrias gaúchas estão mantendo tabelas pouco acima do mercado sobre R$ 21,00 para o saco de 50 quilos em casca no arroz beneficiado do tipo 1, para segurar o preço de entrada da safra, mas comercializam caso a caso com a maior parte de seus compradores tradicionais. A média do fardo de 30 kg do tipo 1, colocado em São Paulo, é de R$ 32,50. Em Minas e Rio de Janeiro chega a R$ 33,00, mas o mercado está mais concorrido e com fraco volume de negócios, razão pela qual a diferença com o SP é mínima.
O preço predominante do fardo gaúcho fica entre R$ 28,00 e R$ 30,00 (FOB RS), dependendo da marca e região da indústria. O saco de 60 quilos, beneficiado, é cotado a R$ 44,00 (FOB) na maioria das regiões gaúchas e R$ 46,00 na Fronteira. Chega a São Paulo com preço final entre R$ 57,00 e R$ 59,00. Em Minas Gerais, importantes atacadistas informam que estão abastecidos ainda com as compras de novembro, pois o aumento da pressão de consumo estimado com a entrada do 13º salário, no final de dezembro, não se confirmou.
DERIVADOS
A Índia, o Paquistão e uma das três colheitas da Tailândia, quem diria, afetaram decisivamente os preços dos derivados do arroz no Brasil. Para manter o interessante mercado exportador com a África, as indústrias gaúchas precisaram pressionar os preços para baixo e adequá-los a patamares que permitam a continuação dos embarques frente à forte concorrência destes países que querem retomar o mercado perdido em 2005. Esta medida, associada a uma maior oferta de matéria-prima no Rio Grande do Sul provocada pelo beneficiamento do final do estoque da safra jogaram o canjicão para R$ 18,00 (FOB/RS). A quirera, em baixos volumes de negociação, é cotada a R$ 16,50. Nos dois casos em embalagens de 60 quilos. O farelo é cotado a R$ 7,50, para o saco de 30 quilos. Estes preços são livres de encargos (FOB indústria/RS). Conforme já noticiado pelo site PLANETA ARROZ, a indústria gaúcha está retomando os embarques de quebrados para a África esta semana.
TENDÊNCIA
Agentes de mercado e consultores estão aguardando os primeiros movimentos do mercado de arroz para a próxima semana. Na briga de gato e rato, produtor e indústria esperam para ver quem fará o primeiro movimento. Se a indústria e os atacadistas forem ao mercado, os produtores forçam alta no preço do arroz principalmente variedades nobres e produto de maior percentual de inteiros. Mas, se os arrozeiros iniciarem a semana ofertando, haverá uma pressão baixista. Todavia, alguns dos principais consultores estão apostando numa leve alta nas cotações em janeiro, pelo baixo estoque de produto de melhor qualidade no mercado.
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