Só pelo enxugamento

 Só pelo enxugamento

Conjuntura de custos, preços e rentabilidade deverá afetar área do RS

 

A área semeada com arroz no Rio Grande do Sul na safra 2022/23 será menor. As estimativas ficam entre 850 e 900 mil hectares e baseiam-se em fatores como o alto custo de produção, a perda de 3,5% da superfície plantada por seca, que dificultou o acesso ao crédito e investimentos, os preços do arroz que não acompanharam as commodities agropecuárias e a alternativa de cultivos de menor desembolso e maior liquidez e rentabilidade, como soja e milho.

O engenheiro agrônomo Eduardo Muñoz, da Porteira Adentro Consultoria Agronômica, de Pelotas (RS), estimou, com base nestes fatores, que a redução de área pode chegar a 10%, que representam 95,7 mil hectares sobre os 957 mil cultivados.

Segundo ele, entre seus clientes, a intenção de plantio em arroz caiu 8,7%, enquanto subiu 19% para soja, com vistas a 2022/23. Muñoz lembrou que onde houve perdas, não haverá plantio no limite da capacidade de irrigação. Por fim, considerou que os custos podem reduzir o investimento em fertilizantes, o que não garante queda proporcional de volume.

Para a Federarroz, o corte será de 11%, para 850 mil hectares.

Ramiro Alvarez, agrônomo da Consultoria Vetagro, de Uruguaiana (RS), considerou cedo para indicar uma tendência pela total indefinição dos produtores e a preocupação com os altos custos. “O planejamento está prejudicado, e mais ainda entre os produtores que tiveram perdas pela estiagem”, observou.

*PCE = Planície costeira externa à Lagoa dos Patos

A rigor, o ônus da alta dos custos atinge a todos os produtores. “Quem está com indefinição de área pela falta de chuvas para levantar os níveis das barragens, tem consequências negativas mais concretas”, comentou.

Estes lavoureiros tiveram redução de produtividade ou perda total de áreas com arroz em 2021/22 e seu poder de compra e créditos caiu. “As poucas chuvas dos últimos meses não mudaram a perspectiva e o pessimismo tomou conta”, disse.

Mesmo entre produtores que não tiveram perdas com a seca, existe preocupação em relação ao futuro pelo descompasso entre o preço de mercado e a alta dos custos.

Troca
Para se ter ideia, um ano atrás, os insumos mantinham preços regulares, sem aumentos significativos, e o mercado de arroz com valores próximos de R$ 85,00. Alguns insumos tiveram aumento superior a 100% em reais, e o mercado do grão se manteve abaixo de R$ 70,00. Isso fez com que a relação de troca arroz x glifosato, por exemplo, tivesse aumento de 384,65%.

Nesse pessimismo da fronteira oeste, maior região produtiva do RS, destaca-se de positivo o crescimento da área de soja, que, mesmo com as estiagens, não para de crescer em terras de arroz. Em Uruguaiana, deve passar de cinco mil para cerca de 10 mil hectares, um aumento de 100%, mesmo após uma safra com muitas perdas decorrentes do forte estio.

Fonte: Irga, junho de 2022 Elaboração: AgroDados

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