Varejo compra arroz do Mercosul

No mês passado, as cotações do produto no Rio Grande do Sul – maior produtor e exportador do cereal – subiram 10%, enquanto a diferença cambial foi de 3%.

O câmbio e o aumento dos preços do arroz – devido à safra menor – provocaram redução nas exportações do cereal e o aumento das importações – inclusive do produto beneficiado. Em março, as vendas externas do grão caíram 81% e as compras cresceram 10%. No mês passado, as cotações do produto no Rio Grande do Sul – maior produtor e exportador do cereal – subiram 10%, enquanto a diferença cambial foi de 3%.

– O varejo não está disposto a pagar os preços da indústria – diz Tiago Barata, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, o produto do Rio Grande do Sul custa R$ 33,32 o fardo, enquanto o do Mercosul sai a R$ 27 – pois não paga impostos como PIS/Cofins.

O maior crescimento das importações foi registrado no arroz em casca (mas a base era baixa): 144%, totalizando 4,8 mil toneladas, sendo 98% oriundas do Paraguai. Barata destaca o volume de vendas daquele país para o Brasil, que aumentaram 132%, somando 7,7 mil toneladas. O principal produto comprado em março foi o arroz beneficiado: 28,7 mil toneladas – aumento de 11,3% na comparação com o mesmo mês de 2006.

No mês passado, as exportações de arroz caíram, seguindo a tendência do trimestre. O volume embarcado foi 81% inferior ao mesmo período de 2006, somando 11,4 mil toneladas. O maior volume exportado foi de produto quebrado: 6,2 mil toneladas – queda de 84%.

Trimestre

No acumulado de janeiro a março, tanto as importações quanto as exportações caíram. As compras foram 25,2% menores, somando 155,9 mil toneladas. No entanto, quase 40% das importações foram realizadas apenas em um mês (março). Do total adquirido pelo Brasil, 65% do volume era de arroz beneficiado.

O Brasil exportou 57,2 mil toneladas no trimestre, queda de 28,7% na comparação com o mesmo período de 2006 e menor até que março do ano, quando foram embarcadas 60,9 mil toneladas.

– No trimestre continuou o mesmo perfil, com o envio de arroz quebrado como principal produto. No entanto, houve uma maior concentração nos destinos – explica Barata.

Os principais compradores do arroz brasileiro foram o Senegal, Suíça e Gâmbia.

A menor venda preocupou o setor, que solicitou apoio ao governo. Na próxima quarta-feira será realizado leilão de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), que ofertará subvenção para 70 mil toneladas de arroz do Rio Grande do Sul. O preço de referência para a operação é de R$ 22 por saca (60 quilos). Na prática, será um subsídio à exportação.

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