Venezuela quadruplica compras de arroz brasileiro em meio à intervenção dos EUA
No mesmo período do ano passado, as vendas somaram 49,7 mil toneladas.
Entre janeiro e junho, o país importou 249,2 mil toneladas do cereal do Brasil, conforme dados do Comércio Exterior
(Por Carolina Pastl/Zero Hora) Um dos principais destinos do arroz brasileiro, a Venezuela quadruplicou suas compras no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, o país importou 249,2 mil toneladas do cereal do Brasil. No mesmo período do ano passado, as vendas somaram 49,7 mil toneladas, segundo dados do Comércio Exterior.
Em nota, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), por meio do projeto Brazilian Rice, explicou que os embarques à Venezuela aumentaram “em razão das janelas de safra, de reduções em embargos comerciais e de restrições por causa da intervenção dos EUA”. Traders brasileiras também informaram à coluna que a Venezuela antecipou suas compras diante de incertezas para os próximos meses. O país trabalha com duas licenças, uma até julho e outra após este mês.
No entanto, vale lembrar também que o aumento ocorre em um momento em que o setor brasileiro tem buscado ampliar os embarques para reduzir a oferta interna e dar sustentação aos preços, pressionados pela grande safra.
Para o consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, os leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ajudaram a “colocar o máximo de produto para fora” diante das cotações em queda.
Próximo semestre
Agora, traders brasileiras temem que essa demanda pelo arroz brasileiro se “mova” para os Estados Unidos, que também é produtor e exportador do cereal.
Para o diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Juandres Antunes, no entanto, a situação é pouco provável:
— O arroz brasileiro entrega uma proporção maior de grãos inteiros. Isso aumenta o rendimento para quem beneficia o produto e faz diferença na conta do comprador. O venezuelano prefere o arroz brasileiro, e isso não deve mudar.
Oliveira concorda:
— Não é um mercado fácil de entrar. Existe uma relação comercial construída ao longo de muitos anos, com variedades adaptadas ao gosto dos compradores e uma tradição entre países vizinhos.
Na avaliação do consultor, o cenário do segundo semestre pode, inclusive, ampliar a competitividade brasileira:
— Os Estados Unidos devem reduzir a área de arroz longo fino, e os preços de exportação tendem a subir. Isso deixa o Brasil ainda mais competitivo justamente no período em que a Venezuela costuma intensificar as compras.


