Pela primeira vez, embarque de arroz poderá ser superavitário

Agora, as estimativas foram revistas. Esperam-se vendas de 700 mil toneladas e importações de 600 mil toneladas.

Impulsionado pela alta do preço internacional do arroz – 111% na média do ano em relação a 2007 – o Brasil poderá, pela primeira vez, exportar mais o cereal que importar. As vendas externas do grão começaram em 2004, mas sempre o País comprou mais, para suprir a sua demanda.

Agora, as estimativas foram revistas. Esperam-se vendas de 700 mil toneladas e importações de 600 mil toneladas. Um saldo inédito de 100 mil toneladas – quando sempre foi deficitário. No entanto, esta diferença fará com que os estoques brasileiros, ao final desta safra, sejam os menores dos últimos 10 anos: 1,1 milhão de toneladas.

– Pode ser o primeiro de uma série – diz Paulo Morceli , gerente de Alimentos Básicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo ele, toda a política do governo será neste sentido, pois o País ainda tem muita área aproveitável para o plantio do cereal.

Segundo ele, quando o preço internacional do arroz era de US$ 500 a tonelada, os R$ 22 pagos por saca ao produtor do Rio Grande do Sul não davam competitividade para a exportação. Agora, segundo ele, apesar de os produtores receberem cerca de R$ 33 por saca, as vendas externas estão saindo a valores entre US$ 650 a US$ 700 a tonelada.

No mês passado já houve inversão da balança comercial. Em maio o País embarcou 76,9 mil toneladas do grão, enquanto comprou apenas 41,2 mil toneladas.

– O mercado internacional está melhor que o Brasil. Assim, nossos vizinhos do Mercosul exportam para outros países – diz Camilo Oliveira, assessor-comercial do Instituto Riograndense do Arroz (Irga).

Tradicionalmente o Brasil compra da Argentina, Uruguai e Paraguai cerca de 1 milhão de toneladas por ano.

No acumulado do ano, no entanto, as importações ainda vencem. O Brasil exportou 213,4 mil toneladas – 81% a mais – enquanto importou 295,7 mil toneladas, queda de 5%. Oliveira diz que, apesar disso, acredita em uma balança comercial equilibrada. Ou seja, é menos otimista que a CONAB.

Se o superávit será ou não alcançado, o setor arrozeiro tem pelo menos uma coisa a comemorar: a mudança no tipo de produto exportado. Por conta da chamada “crise de alimentos”, o País passou a exportar mais arroz beneficiado. No acumulado do ano, este tipo de produto representa 60,2% do total embarcado, quando no ano passado era 8,2%.

A venda deste produto mudou também o ranking dos compradores. No ano passado, o país que mais importava era Senegal – 35,4% do total -, cuja preferência é pelo arroz quebrado. Neste ano, é Benin – 38,3%. Por conta desta mudança, houve também um salto na receita com exportações: 227% no acumulado do ano, somando US$ 58,7 milhões.

Confirmada a tendência projetada para a CONAB – de aumento de exportações e queda nas importações – o País terminará a safra com estoques baixos, o que pode indicar preços sustentados.

– Quando entrar a safra mundial, as cotações caem um pouco, mas em todos os países os estoques serão menores, sinalizando valores maiores que os tradicionais – diz Morceli.

O analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, ressalva, no entanto, que se os preços no mercado interno continuarem altos no segundo semestre, os vizinhos do Mercosul podem voltar a vender quantidades maiores para o Brasil. Na sua avaliação, a balança comercial do setor deverá ficar equilibrada.

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