Mercado de arroz segue estável no Sul
No MT, baixo volume de negócios pressiona preços para baixo. No Sul, garantia de leilão só no final de julho acalma o mercado.
O mercado de arroz no Rio Grande do Sul viveu uma semana movimentada apenas no jogo político-setorial. Nos preços, poucas novidades e posicionamentos bastante conservadores tanto da indústria quanto dos produtores.
A estabilidade reinou no mercado, com a indústria confirmando que está abastecida, refletindo o discurso do varejo que alega ter comprado muito em maio e que em julho as férias escolares retraem o consumo, e os produtores não fazendo muita questão de vender, em razão da boa comercialização realizada no pós-safra e a expectativa de uma alta dos preços no final do ano. Muitos produtores dedicam-se desde o mês passado ao fechamento das compras de insumos para a próxima safra.
Com relação à safra futura, duas certezas até o momento: o alto custo dos insumos e reservatórios abaixo dos níveis desejados em algumas das principais regiões arrozeiras gaúchas. Ainda assim, os analistas apostam num aumento de área no RS.
Na quinta-feira foi divulgada a informação de que, em razão dos preços obtidos no leilão de 50 mil toneladas da última segunda-feira, na Bolsa, a Conab decidiu atender o pedido dos produtores de manter um leilão mensal para o produto em casca.
O próximo deve ocorrer em 29 de julho, atendendo a 50 mil toneladas para o Rio Grande do Sul e outras 10 mil para Santa Catarina. O preço de abertura da operação ficou acordado em R$ 28,00 a saca de 50 quilos do produto entre 57% e 58% de inteiros, conforme a tabela da Conab. Após o leilão, governo e cadeia produtiva voltarão a se reunir para avaliar o mercado e discutir a política de agosto.
O leilão de arroz promovido na semana passada pela Conab resultou na venda de 100% das 48.516 toneladas ofertadas. O preço médio alcançado foi de R$ 31,03 (50Kg), ágio 12,2% sobre o preço de abertura. A média gaúcha foi de R$ 31,28/50Kg. Em junho, quando ocorreu apenas a oferta de 50 mil toneladas no dia 30, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), a cotação ficou estável em R$ 33,25 (saca de 50Kg, com 58% de grãos inteiros, posta na indústria), apesar de algumas oscilações.
PREÇOS
Refletindo o que foi visto no leilão, os preços médios da saca de arroz nas principais praças gaúchas ficaram entre R$ 31,00 e R$ 31,50. Valorização um pouco maior (R$ 33,50 a R$ 34,50) para o arroz de variedades nobres no Litoral e na Fronteira gaúcha.
MATO GROSSO
Segundo um importante corretor do Mato Grosso, algumas empresas deste estado iniciaram o mês recebendo as duplicatas de venda de junho e também devolução de mercadorias dos compradores paulistas. Esta situação se deve ao argumento de abastecimento do grande varejo, que não está interessado em ampliar as compras. Além disso, algumas marcas de arroz do Mato Grosso, pela demanda das indústrias ser maior que a produção local, estariam com preços incompatíveis.
– O arroz gaúcho e catarinense chega muito mais barato em São Paulo do que o mato-grossense – frisa o corretor.
Uma das indústrias remanescentes da grande Cuiabá, teria anunciado sua transferência para o Sul nos próximos meses. As cotações do arroz nas principais praças do Mato Grosso estão entre R$ 38,00 e R$ 40,00, mas são muito nominais.
– Os produtores estão pedindo R$ 45,00 e a indústria quer pagar R$ 35,00. Como tem pouco arroz, esse é um impasse. A indústria não consegue comprar porque não repassa os valores nem os volumes na ponta e o produtor não quer vender porque há mais demanda que oferta – destaca o negociante.
Segundo ele, para poder vender, algumas máquinas chegaram a baixar R$ 5,00 por fardo de arroz do tipo 1. Os produtores voltaram a reclamar da falta de tecnologias e incentivos (como crédito e sementes adequadas) para o plantio de arroz em áreas velhas. Em Santa Catarina, os preços acompanham os indicadores gaúchos.
INDÚSTRIA
No Rio Grande do Sul a indústria usa o argumento de estar abastecida. Durante o frisson de maio, quando os preços subiram muito como reflexo do mercado internacional, a indústria se abasteceu significativamente. E o varejo também. Além disso, há o arroz depositado, que sempre é uma moeda forte da indústria. Assim, não apresenta-se com voracidade nas compras, escolhendo os tipos e padrões de acordo com demandas muito específicas.
Como o produtor projeta uma alta nos preços para o final do ano e, a partir deste momento está bastante concentrado na compra de insumos, é natural que o mercado ande de lado.
MERCADO
A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 66,00 para a saca de arroz beneficiado de 60 quilos, tipo 1, e R$ 32,00 para a saca em casca, 50Kg, padrão de 58% de inteiros, no Rio Grande do Sul. O farelo de arroz manteve os preços de todo o ano, a R$ 320,00 a tonelada, R$ 47,00 para o canjicão e R$ 37,00 para a quirera de arroz. A expectativa da próxima semana é de preços estáveis para o produto.


