Produtores e indústrias de costas um para o outro
Mercado de arroz brasileiro se mantém andando de lado, sem oscilação nos negócios e com manutenção de preços.
O mercado brasileiro de arroz viveu mais uma semana em compasso de espera. Figuradamente, os agentes de mercado dizem que a indústria e os arrozeiros estão de costas um pro outro, ou seja, sem que uma das partes mostre interesse em demandar ou ofertar produto. A indústria argumenta estar abastecida com estoques fortes das compras realizadas a partir de março, em pleno pico de alta, e que não consegue repassar os valores na ponta, ao atacado e varejo. E as férias escolares mantêm em baixa o consumo.
Enquanto isso, os produtores têm como principais argumentos o fato de terem vendido boa parte da produção neste período, a preços compensadores, estarem preocupados com a alta dos custos de produção (insumos) para a formação da próxima safra e a expectativa de recuperação dos preços a partir de outubro, em razão da baixa dos estoques do Mercosul e uma reação dos preços internacionais.
No momento, no entanto, os reflexos internacionais são negativos, com preços caindo até 20% em países que são referências nestas negociações, como Tailândia, Vietnam e Índia. A entrada da segunda safra asiática é a principal razão deste viés no mercado. Além disso, a indústria aguarda o aumento da oferta de arroz do Mercosul, principalmente argentino, que ocorre a partir de agosto com maior pressão. É tradicional que os empresários argentinos segurem a safra para comercializar com o Brasil a preços de segundo semestre.
De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), a cotação de junho se mantém estável em R$ 33,25 (saca de 50Kg, com 58% de grãos inteiros, posta na indústria), apesar de algumas oscilações no mercado livre. Na maioria das praças gaúchas, são pagos ao produtor preços que variam de R$ 31,50 a R$ 32,50.
Com o produto na indústria, frete incluso, pode chegar a R$ 33,50. O produto nobre, é avaliado em R$ 36,50, em média, no Litoral Norte, mas com negociações que vão de R$ 35,00 a R$ 38,00. No Mato Grosso os preços se mantêm na faixa de R$ 38,00 em Sinop e Sorriso, mas com baixo volume de negociação. Santa Catarina mantém preços médios de R$ 32,00.
Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 65,00 para a saca de arroz beneficiado de 60 quilos, tipo 1, e R$ 32,00 para a saca em casca, 50Kg, padrão de 58% de inteiros, no Rio Grande do Sul. O farelo de arroz manteve os preços de todo o ano, a R$ 320,00 a tonelada, R$ 46,00 para o canjicão (baixa de R$ 1,00 na semana) e R$ 37,00 para a quirera de arroz. A expectativa da próxima semana é de manutenção destes preços estáveis para o produto.


