A África quer produzir 56 milhões de toneladas de arroz em 2030
(Por Planeta Arroz) Yaoundé, capital da República de Camarões, está atualmente sediando um programa de treinamento multinacional com o objetivo de dobrar a produção de arroz entre os vários países da África para chegar a 56 milhões de toneladas até 2030 e melhorar a qualidade do produto final. Isso visa reduzir a dependência de importações e fortalecer a segurança alimentar. O workshop reune representantes de nove países africanos, membros da Coalizão para o Desenvolvimento do Arroz na África (CARD), e foca em uma abordagem de cadeia de valor para a produção de arroz, desde a seleção de sementes até a comercialização.
A iniciativa está sendo implementada por meio do Projeto para o Desenvolvimento do Cultivo de Arroz Irrigado e de Sequeiro através do Reforço da Cadeia de Valor (PRODERIP-RCV), com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), e foi inaugurada pela secretária-geral do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Bambot Annih.
Ao abrir o workshop, representando a ministra da Agricultura dos Camarões, Bambot Annih afirmou que a baixa competitividade do sistema produtivo continua a afetar negativamente a produção de arroz em toda a sub-região. Ela citou a disponibilidade limitada de material vegetal de alta qualidade, os baixos níveis de mecanização, a infraestrutura rural inadequada, as perdas pós-colheita, a variabilidade climática e o financiamento insuficiente como principais entraves.
“Melhorar as condições de vida e garantir a segurança alimentar exige o desenvolvimento de um setor agrícola e rural eficiente”, disse ela, observando que o arroz continua sendo um alimento básico estratégico para famílias urbanas e rurais.
Dados recentes destacam a importância econômica do setor. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que a África importou mais de 17 milhões de toneladas de arroz em 2023, gastando mais de US$ 8 bilhões anualmente para atender à demanda interna, sendo a África Central e Ocidental algumas das regiões mais dependentes de importações. Estatísticas da FAO mostram que a produtividade média do arroz na África Subsaariana permanece abaixo de 2,5 toneladas por hectare, em comparação com a média global de cerca de 4,7 toneladas por hectare, evidenciando as lacunas de produtividade que as intervenções na cadeia de valor buscam sanar.
O coordenador do CARD, Reginald Ze-Nkpwang, lembrou que a iniciativa foi lançada em 2008 na Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento da África pela JICA, em parceria com a Aliança para uma Revolução Verde na África e a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África. Durante sua primeira fase, de 2008 a 2018, o CARD apoiou os estados membros no desenvolvimento e implementação de Estratégias Nacionais de Desenvolvimento do Arroz e no fortalecimento da capacidade em toda a cadeia de valor. Como resultado, 218 projetos foram formulados e a produção de arroz na África atingiu cerca de 30,1 milhões de toneladas em 2017, de acordo com os dados do programa CARD.
Do treinamento ao crescimento da produção
A segunda fase do CARD, que abrange o período de 2019 a 2030, visa dobrar a produção de arroz na África, de cerca de 28 milhões de toneladas para 56 milhões de toneladas até o final da década. Autoridades da JICA presentes na reunião em Yaoundé afirmaram que o treinamento em andamento ajudará a reduzir a diferença entre a produção e o consumo internos na África Central.
O representante residente da JICA em Camarões, Kageyama Tadashi, que está deixando o cargo, disse que o programa contribuirá para reduzir os déficits e fortalecer a capacidade técnica. Ao mesmo tempo, o vice-chefe da Missão da Embaixada do Japão, Uehara Kenya, expressou confiança de que os países participantes aplicarão o conhecimento adquirido para transformar seus setores agrícolas.
Os dados nacionais destacam a dimensão da dependência das importações. Autoridades do Congo Brazzaville afirmaram que o país produz atualmente cerca de 2.000 toneladas de arroz por ano, mas importa aproximadamente 80.000 toneladas anualmente para atender à demanda, um padrão que se repete em grande parte da África Central. De acordo com dados do Monitor do Mercado de Arroz da FAO, publicados em 2024, o consumo de arroz na África continua a crescer mais de 3% ao ano, impulsionado pelo crescimento populacional e pela urbanização.
Os organizadores do workshop em Yaoundé afirmaram que o treinamento visa capacitar as partes interessadas com ferramentas práticas para melhorar a produtividade, a qualidade e o acesso ao mercado, além de alinhar as estratégias nacionais às metas de produção da CARD em todo o continente.
Os países participantes incluem Mauritânia, Benim, Burundi, Chade, Gabão, Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Camarões. As sessões abrangem a avaliação de sistemas de cultivo de arroz, padrões de qualidade, produção e purificação de sementes, mecanização para preparo do solo e gestão da água, manuseio pós-colheita, embalagem e comercialização. Segundo representantes do MINADER, o programa também visa harmonizar o apoio aos 32 Estados-membros da CARD e melhorar o ambiente de negócios para atrair investimentos para o cultivo e processamento de arroz.


