EUA condiciona ajuda alimentar internacional à compra de produtos 100% produzidos no país
(Por Planeta Arroz) O arroz cultivado nos Estados Unidos passa a ocupar papel central na reformulação do Programa Alimentos para a Paz, anunciada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estabelece a obrigatoriedade de aquisição exclusiva de alimentos de origem americana para a ajuda alimentar internacional. A medida integra a nova fase do programa, agora rebatizado como Assistência Alimentar Internacional América Primeiro.
Com a mudança, o USDA assume a gestão do programa, anteriormente administrado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e reforça a diretriz de que 100% das compras realizadas no âmbito da assistência alimentar deverão beneficiar produtores norte-americanos.
Entre as principais commodities previstas está o arroz beneficiado, com cerca de 45 mil toneladas a serem adquiridas e distribuídas principalmente para países da África. El Salvador, Guatemala e Haiti, que também figuram entre os destinos da ajuda, já são mercados comerciais consolidados para o arroz dos EUA.
O departamento informou que pretende firmar um acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), das Nações Unidas, para destinar até US$ 452 milhões ao programa no ano fiscal de 2025. Os recursos permitirão o envio de aproximadamente 211 mil toneladas de produtos agrícolas americanos para países como República Democrática do Congo, El Salvador, Etiópia, Guatemala, Haiti, Quênia e Ruanda.
Segundo o USDA, a abordagem “América Primeiro” impõe reformas estruturais aos parceiros do programa, incluindo critérios rigorosos de prestação de contas, mecanismos para evitar fraudes, desperdícios e abusos, além de ações voltadas à redução da dependência prolongada da ajuda externa.
“Este anúncio vinha sendo preparado há muitos meses e chega em um momento oportuno”, afirmou Peter Bachmann, presidente e CEO da USA Rice. Ele destacou que, embora o setor arrozeiro dos EUA tenha histórico de participação no programa, a iniciativa permaneceu praticamente inativa no último ano durante a revisão governamental. “Somos gratos por o USDA assumir a gestão e garantir a retomada das compras”, disse.
O USDA prevê conceder um primeiro repasse ao PMA ainda neste ciclo, viabilizando a compra de produtos agrícolas americanos — a granel e formulados — até março. Novos prêmios deverão ser anunciados à medida que os recursos forem disponibilizados.
Desde 2023, a USA Rice apoia mudanças legislativas para reformar a ajuda alimentar internacional dos Estados Unidos e, em 2025, passou a defender a transferência definitiva da administração do programa para o USDA, articulação que deverá seguir ao longo de 2026 junto a outras entidades do setor agrícola.


