Manejo inteligente da irrigação pode reduzir em até 35% o uso de água nas lavouras
Uso de ferramentas de planejamento hídrico permite aplicar água no momento certo e aumentar a produtividade
(Por Daniela Miranda) O uso de ferramentas digitais para manejo da irrigação tem permitido que produtores rurais reduzam significativamente o consumo de água nas lavouras sem comprometer a produtividade. Em alguns casos, a economia pode chegar a 35% no volume de água aplicado ao longo do ciclo da cultura.
Segundo Sandro Rodrigues, engenheiro agrícola e ambiental, mestre em irrigação e gerente comercial da Valley, empresa da Valmont Industries, fabricante de pivôs centrais e soluções de irrigação de precisão, o principal avanço está na adoção de sistemas que calculam a necessidade hídrica das plantas com base em dados climáticos e no balanço hídrico do solo. “Durante muito tempo o produtor irrigava no instinto, baseado na experiência ou em calendários fixos. Hoje é possível tomar decisões muito mais precisas utilizando dados climáticos e modelos agronômicos”, explica.
Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é o Scheduling, sistema de recomendação de irrigação que calcula diariamente a necessidade de água da cultura considerando fatores como evapotranspiração, chuvas, tipo de solo e estágio de desenvolvimento da planta.
Segundo Sandro, o modelo funciona de forma semelhante ao extrato de uma conta bancária. “A ferramenta registra tudo o que entra no sistema — como chuva e irrigação — e tudo o que sai, representado pelo consumo da planta, conhecido como evapotranspiração. O saldo final desse balanço é o que garante precisão nas operações. A partir dele, o produtor recebe recomendações claras sobre quando irrigar e qual lâmina de água aplicar, permitindo decisões mais assertivas no manejo da irrigação”, ressalta.
De acordo com Sandro Rodrigues, a adoção do manejo baseado em dados tem mostrado resultados expressivos em propriedades irrigadas. “Temos casos de produtores que aplicavam cerca de 600 milímetros de água ao longo do ciclo e passaram a aplicar 400 ou 450 milímetros, mantendo ou até aumentando a produtividade”, afirma.
Além da economia de água, o manejo mais preciso reduz o consumo de energia elétrica, o desgaste dos equipamentos e o risco de doenças nas plantas causadas pelo excesso de umidade. “Às vezes o sistema até recomenda irrigar mais do que o produtor estava fazendo, quando identificamos que a cultura precisa de mais água. O objetivo não é gastar menos ou mais, mas aplicar exatamente o que a planta necessita”, explica Sandro.
Segundo Sandro Rodrigues, o manejo hídrico também tem passado a fazer parte do planejamento da safra. Ferramentas de gestão permitem avaliar antecipadamente a disponibilidade de água e energia da propriedade para definir o melhor calendário de plantio e o uso dos pivôs.
Essa estratégia evita situações em que várias áreas da fazenda atingem simultaneamente o pico de consumo de água, o que poderia sobrecarregar o sistema de irrigação. “Hoje a irrigação deixou de ser apenas uma resposta à seca e passou a ser uma ferramenta de planejamento agrícola”, afirma.
Para o especialista, a combinação entre tecnologia, planejamento e acompanhamento técnico será fundamental para ampliar a eficiência da irrigação no Brasil, que ainda utiliza menos de 20% do seu potencial de área irrigada.
O Scheduling e outras tecnologias estão sendo apresentadas no stand da Valley durante a Agrishow 2026.


