Mercado de arroz segue travado no Brasil, com baixa liquidez e preços sustentados pela retenção de oferta
(Por Planeta Arroz) O mercado brasileiro de arroz manteve-se travado na última semana, com baixo volume de negócios e formação de preços sustentada principalmente pela retenção de oferta por parte dos produtores. Sem um impulso consistente da demanda, o setor opera em compasso de espera, com negociações pontuais e liquidez reduzida, segundo avaliação do analista de mercados de arroz da Conab, Sérgio Roberto Santos Jr, em avaliação semanal publicada pela Companhia.
Segundo ele, no mercado interno, a formação de preços continua concentrada em referências nominais. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, as indicações oscilaram majoritariamente entre R$ 52,00 e R$ 55,00 por saca de 50 quilos, na semana anterior. Registros acima desse intervalo ocorreram apenas em lotes específicos, sem força suficiente para estabelecer um novo patamar de mercado.
O cenário é marcado por lateralidade nas cotações e dificuldade de repasse ao longo da cadeia. Embora a colheita esteja em andamento, parte relevante da oferta disponível segue comprometida por contratos anteriores, o que ajuda a sustentar pontualmente os preços. Ainda assim, o elevado volume de estoques continua exercendo pressão estrutural sobre o mercado, limitando movimentos mais consistentes de valorização.
No período analisado, na última quinzena de fevereiro, a média da saca no Rio Grande do Sul ficou em torno de R$ 54,00, com variações semanais discretas e manutenção de forte desvalorização na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No comércio internacional, as exportações seguem atuando como importante válvula de ajuste para o setor, ajudando a equilibrar o excesso de oferta interna. No curto prazo, entretanto, o ambiente permanece marcado por cautela entre os agentes e pela baixa liquidez nas negociações.
Colheita avança no país
De acordo com o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de arroz no Brasil atingiu 9,2% da área cultivada.
No Rio Grande do Sul, as lavouras concentram-se nas fases de floração, enchimento de grãos e maturação, com a colheita ainda em ritmo inicial, alcançando cerca de 4% da área. As primeiras áreas colhidas indicam bom rendimento e qualidade do grão.
Em Santa Catarina, os trabalhos de colheita avançam, embora chuvas pontuais tenham reduzido o ritmo e afetado a qualidade em algumas áreas. Já nos estados de Goiás, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso predominam condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, com colheita ocorrendo de forma escalonada e produtividades consideradas satisfatórias, apesar de variações climáticas localizadas.
No Paraná, as lavouras apresentam bom estado geral, majoritariamente em fases reprodutivas, com avanço significativo das áreas já colhidas.



