Safra 2025/26 deverá ser de neutralidade ou de neutralidade com viés frio

O resfriamento no Oceano Pacífico Equatorial está ativo desde outubro de 2025, ou seja, com anomalias em patamar de La Niña. As anomalias na região do Niño 3.4 foram de -0,5°C em outubro, de -0,7°C em novembro e de -0,6°C em dezembro. Em janeiro de 2026, o resfriamento seguiu, com anomalias na três primeiras semanas de -0,8, -0,7 e -0,3°C, respectivamente. A anomalia de -0,3°C já é dentro do limite de neutralidade. Se continuar assim, será decretado o fim do período com condições de La Niña. O mapa da figura 1 mostra a região do Niño 3.4 com anomalias negativas da temperatura da superfície do mar, caracterizando condições de uma La Niña de fraca intensidade.

Figura 1. Anomalia da temperatura da água da superfície do mar (TSM) no mês de dezembro de 2025. Fonte: Adaptado de Cptec/Inpe.

O retângulo central na imagem mostra a região do Niño 3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o índice Niño (índice que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade, ou seja, a regularidade de ocorrência de chuvas no estado do Rio Grande do Sul.

Segundo o último boletim da National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa), divulgado em 8 de janeiro de 2026, a La Niña termina e a neutralidade retorna já neste trimestre (Jan-Fev-Mar), com 75% de probabilidade. A neutralidade deverá prosseguir até o trimestre Abr-Mai-Jun, com 70% de probabilidade, e, para o segundo semestre de 2026, parece estar se desenhando um novo El Niño, já que a probabilidade aumentou para 61% no trimestre Ago-Set-Out (figura 2).

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia Inmet) é de que as precipitações fiquem dentro da normal climatológica (NC) em fevereiro, em boa parte da Metade Sul. Já março, as precipitações devem ficar abaixo da NC no Oeste e dentro da média nas demais regiões. Para abril, a tendência é de que as precipitações fiquem abaixo da NC no Sul do estado e dentro da NC nas demais regiões (Figura 3). Na média do trimestre, a tendência geral é de que as precipitações fiquem próximas à NC.

Figura 2. Previsão de probabilidade (%) oficial no Enos (El Niño-Oscilação Sul) para a região do Niño 3.4. Gráfico atualizado em 8 de janeiro de 2026 pelo CPC/IRI/Noaa. As barras em azul significam probabilidade de La Niña, as cinzas, de neutralidade e, as vermelhas, de El Niño. Fonte: Adaptado de Noaa/CPC.

Para o arroz, o cenário geral é positivo, pois com La Niña ou neutralidade, a disponibilidade de radiação solar é boa, principalmente nos meses críticos (trimestre do verão). Já para a soja, as condições de chuva foram muito boas até aqui. Mas, no decorrer de janeiro, passaram a ser mais irregulares, o que gera preocupação.

Para melhores tomadas de decisão de manejo de suas lavouras, é importante que se faça o acompanhamento da previsão do tempo de sete a 15 dias, visando maior eficiência na execução das atividades programadas e acompanhar os prognósticos climáticos nos próximos meses, pensando na fase final da lavoura e período de colheita.

Figura 3. Precipitação total e anomalias de precipitação (mm) previstas para fevereiro, março e abril de 2026 no estado do Rio Grande do Sul. Fonte: Inmet.

Jossana Ceolin Cera
Agrometeorologista e Consultora do Irga

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