A medida que busca evitar a concentração de vendas e quedas de preço do arroz
(Por Gisele Loeblein, GZH) Para evitar a concentração de vendas e novas quedas no preço, produtores de arroz colocaram à mesa um pedido para a ampliação do número de parcelas do financiamento de custeio. A proposta, apresentada ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi bem recebida. E embora o governo tenha conversado com os bancos, o setor produtivo entende que uma resolução do Banco Central tornará a medida mais robusta.
Denis Dias Nunes, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS) explica que as parcelas das linhas de custeio (aquelas usadas para fazer a lavoura) começam a vencer a partir de agora. Usualmente são até quatro e a solicitação feita é para que sejam ampliadas para até oito.
— Pedimos um número maior de parcelas com o objetivo de desconcentrar os pagamentos do primeiro semestre para que os preços fiquem mais firmes — explica o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
A ampliação do números de parcelas vai depender da análise caso a caso, mas é vista como uma forma de evitar que as vendas do produtor acabem ficando concentradas porque ele precisa fazer caixa para pagar a prestação. E isso pode trazer nova pressão de baixa sobre os preços do cereal que, embora tenham esboçado uma reação nos últimos 30 dias, segue abaixo do valor mínimo estabelecido pelo governo federal.
Conforme o indicador Cepea/Irga-RS, a saca de 50 quilos fechou nesta segunda-feira (16) a R$ 58,48. Na média de março, o preço está 30,7% abaixo do registrado em igual período do ano passado.
— Há uma boa vontade de que isso (o alongamento do número de parcelas) aconteça. Evita a pressão de venda e dá ao produtor a opção, não a obrigação, de vender — reforça o presidente da Federarroz.
O ação faz parte de sete medidas elencadas por entidades do setor como essenciais para conter a crise do arroz. O Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional do cereal e está em plena colheita. Conforme a última atualização do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), 14% da área cultivada havia sido colhida.


