Alta do diesel pesa mais nos custos do arroz

 Alta do diesel pesa mais nos custos do arroz

(Por Patrícia Feiten, Correio do Povo) O impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã elevou significativamente os preços do diesel utilizado nas operações agrícolas. Embora não tenha paralisado a colheita de arroz no Rio Grande do Sul, a alta do combustível tem pressionado fortemente os custos de produção.

Antes do conflito, o litro do diesel era adquirido por valores entre R$ 5,80 e R$ 6,00. Com a escalada dos preços, chegou a atingir até R$ 9,50 em algumas regiões produtoras, como Uruguaiana. Atualmente, os preços apresentam leve recuo, mas permanecem elevados, oscilando em torno de R$ 8,00 por litro, conforme o vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul, Roberto Fagundes Ghigino.

Com isso, a participação do diesel no custo total de produção da safra 2025/2026 deve subir para um patamar entre 10% e 13%, acima dos atuais 8% a 10%.

Apesar do recuo recente, os preços se estabilizaram em um nível considerado elevado, o que mantém o setor em alerta. “O preço já está consolidado e não há expectativa de queda. O arroz segue estável em torno de R$ 60 por saca, o que já representa um prejuízo aproximado de R$ 20 por saca”, afirma Ghigino.

Mesmo com o aumento dos custos, não há relatos de paralisação da colheita ou desabastecimento de diesel. O principal problema, segundo o dirigente, está na logística de entrega. “O volume entregue chegou a ser até 50% menor do que o solicitado. Agora, com a estabilização dos preços, a oferta começa a se normalizar gradualmente”, explica.

O cenário internacional também contribui para a pressão sobre os preços. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

Dados da Agência Nacional do Petróleo indicam que o preço médio de revenda do diesel S10 no Estado subiu de R$ 6,15 por litro, na semana de 22 a 28 de fevereiro (início do conflito), para R$ 7,52 na semana de 22 a 28 de março, último levantamento disponível.

Esses valores refletem preços em refinarias e distribuidoras. No campo, o abastecimento ocorre por meio dos TRRs (Transportadores Revendedores Retalhistas), responsáveis pela entrega direta nas propriedades rurais. Tradicionalmente mais competitivo devido à venda em volume, o diesel fornecido pelos TRRs atualmente apresenta preços superiores aos praticados nos postos.

“Historicamente, o TRR sempre foi mais barato. Hoje, o diesel está mais caro no TRR do que na bomba”, conclui Ghigino.

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