Após forte elevação, mercado do arroz busca equilíbrio no final de maio

O mês de maio encerra com uma média de R$ 34,76 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, uma valorização de 24,3% em relação à do mês anterior.

Pautados pela expectativa de preços mais atrativos na entressafra, o lado da oferta do mercado brasileiro de arroz mantém a postura retraída.

– E, junto com as cotações recordes no mercado internacional, sustentam a firmeza no âmbito doméstico – destaca o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento.

Com isso, o mês de maio encerra com uma média de R$ 34,76 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, uma valorização de 24,3% em relação à do mês anterior. Em 2008, a alta acumulada é de 51% e, em relação ao mesmo período do ano passado, de 68,6%.

Uma análise mais detalhada, no entanto, mostra que a escalada altista do mercado gaúcho foi interrompida logo no início do mês, no dia nove, quando a saca era negociada a R$ 35,21, uma alta de 51,4% em relação início do abril.

– A partir daí, encontrou um novo ponto de equilíbrio dentro do atual cenário fundamental e, com a entrada do governo no mercado, a elevação foi estancada – explica.

Do dia nove a 30 de maio, a saca recuou 3,4%, fechando o mês a R$ 34,02.

– Depois do ajuste ocorrido em abril, era normal que as cotações ficassem mais comportadas – lembra o analista.

O viés de baixa apresentado, principalmente na segunda quinzena do mês, deve-se ao ingresso do governo na ponta vendedora.

Com o leilão desta última quinta-feira (29), o total das vendas é de aproximadamente 280 mil toneladas. A demanda por parte das indústrias tem sido muito boa, mostrando a escassez do produto neste momento e/ou a percepção de que os preços devem voltar subir no segundo semestre.

– Assim, estariam se antecipando e gerando estoques – destaca Bento.

O enfraquecimento dos preços levou o setor produtivo a pedir a suspensão das vendas de reservas do cereal do governo.

– ara junho, a tendência é de preços mais comportados e o viés das cotações dependerá da intensidade das vendas do governo – prevê.

De qualquer forma, na opinião do analista fica claro que não há espaço para recuos mais expressivos, pois, mesmo com vendas de quase 20% dos estoques que o governo tinha no início da temporada, a queda apresentada foi reduzida.

Além disso, se o governo mantiver o ritmo, o saldo remanescente nos estoques seria negociado em dois meses e meio.

– Quanto menor os volumes estocados, maior o espaço para valorização do produto privado nos próximos meses – pondera.

Por outro lado, o foco da política econômica braseira é o controle da inflação. Assim, o setor produtivo precisa estar atento no abastecimento do produto, para evitar medidas que facilitem o ingresso de grãos importados de outras origens, que reduziriam a competitividade do produto nacional.

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