Câmbio deteriora paridade de exportação e mantém mercado do arroz travado
Foto: Robispierre Giuliani/Planeta Arroz
(Por Planeta Arroz) O mercado brasileiro de arroz segue com liquidez comprimida, refletindo um desequilíbrio claro entre oferta física e disposição de venda. Apesar das operações de colheita estarem chegando a 70%, com inegável atraso frente ao ritmo normal dos últimos anos, o fluxo de negócios permanece bastante limitado. Isso porque, com o governo cozinhando os leilões de Pepro e PEP anunciados em fevereiro em fogo brando, e sem indicação de que vão ocorrer no curto prazo, os produtores mantêm postura defensiva e priorizam o carregamento de estoques, diante de margens ainda apertadas. A menor disponibilidade no spot sustenta as cotações no curto prazo, porém em um ambiente raso, com baixa formação de referência.
A indústria opera de forma oportunista, com compras pontuais e estoques enxutos. A ausência de alongamento nas posições reduz a tração do mercado e reforça a baixa fluidez. De outra banda, o produtor começa a receber maior pressão do vencimento das CPRs.
Com o dólar ao redor de R$ 5,06, a paridade de exportação se deteriora. O arroz brasileiro perde competitividade no mercado FOB, comprimindo margens e reduzindo o spread frente a outras origens. Na prática, o canal externo deixa de funcionar como vetor de escoamento e passa a impor limite à valorização interna.
O período tem sido marcado pela posição de compradores internacionais adotam postura de espera, diante da menor competitividade brasileira. O recuo no fluxo exportador elimina um dos principais mecanismos de ajuste entre oferta e demanda. Margens industriais comprimidas restringem a capacidade de pagamento, mantendo a originação disciplinada. O impasse se mantém: produtores retêm e compradores não avançam.
Preços reagem no curto prazo, mas seguem abaixo de 2025
No Rio Grande do Sul, a saca de 50 kg foi cotada em média entre R$ 62,00 e R$ 63,00, mas com grande disparidade entre as regiões, uma vez que Campanha e Depressão Central, por exemplo, ainda operam na faixa de R$ 57,00 a R$ 59,00. Ainda assim, acumula queda de 19% na comparação anual.
Desta forma, o mercado opera em equilíbrio frágil: preços sustentados por restrição de oferta, porém sem suporte estrutural de demanda. A normalização depende, sobretudo, de recuperação da competitividade externa — via câmbio ou ajuste interno de preços.


