Com a presença do presidente Orsi, Uruguai abre a colheita de arroz de 2026 no dia 10

 Com a presença do presidente Orsi, Uruguai abre a colheita de arroz de 2026 no dia 10

(Por Álvaro Melgarejo, La Mañana) Com a presença confirmada do presidente Yamandú Orsi, do secretário da Presidência Alejandro Sánchez, do ministro da Economia Gabriel Oddone, do Ministro da Pecuária Alfredo Fratti e do ninistro do Interior Carlos Negro, a safra de arroz de 2026 será inaugurada na próxima terça-feira, 10 de março, às 11h, na fazenda Néstor Santos (Randilco SA), em Cebollatí. O evento tradicional, organizado pela Associação dos Produtores de Arroz (ACA), será, como sempre, muito importante “porque compartilhamos nossa perspectiva com um grande público”, afirmou o Vice-Presidente Juan Miguel Silva. É um dia em que o setor pode destacar suas principais preocupações.

Desta vez, “enfrentamos um ano de queda de preços e redução da área plantada” em um setor crucial para as regiões marginalizadas do país, caracterizadas principalmente pela proximidade com a fronteira e pela escassez de empregos. Como tem ocorrido nos últimos anos, os produtores de arroz continuarão a insistir em maior competitividade, uma das principais reivindicações do setor, que dificulta seu crescimento, especialmente em contextos complexos como o atual.

Nesse contexto, Silva destacou a necessidade de “eliminar uma série de obstáculos burocráticos que continuam surgindo e que nos afetam significativamente”. Ele insistiu que “precisamos reduzir os custos” para que a produção de arroz seja viável. Para a diretoria da ACA, reuniões como a da próxima terça-feira, que reunirá todo o setor e o governo, são importantes “para que todos compreendam” a situação do setor e onde se encontram as maiores dificuldades que afetam seu desenvolvimento. É também uma boa oportunidade para o restante da sociedade conhecer o estado atual do setor arrozeiro.

“Será uma abertura desafiadora”, enfatizou o produtor, em um ano em que o setor arrozeiro perdeu 15% da área plantada em comparação com o ano passado. Silva informou que 163 mil hectares foram plantados desta vez.

De modo geral, a safra de arroz está em boas condições, mas foram encontrados “muitos problemas”. O frio intenso e prolongado de janeiro acabou afetando a lavoura. As plantas “apresentam muitos grãos vazios” e, em alguns casos, grãos “deformados”. Diante dessa situação, é evidente que a produtividade não será a mesma dos anos anteriores. O impacto total na produção ficará mais claro em alguns dias, após a colheita de parte da área plantada. Silva afirmou que as máquinas estão entrando nos campos agora para iniciar as primeiras colheitas.

Os custos de produção continuam sendo um dos principais obstáculos para o setor arrozeiro. Este ano, para atingir o ponto de equilíbrio, os produtores precisam de US$ 2.100 por hectare, o equivalente a mais de duzentas sacas. Isso representa uma produção desafiadora para os produtores.

Em relação a alguns desses custos, Silva mencionou o diesel, que teve uma leve queda de preço, “mas o dólar caiu mais do que o diesel”. Nesse sentido, a defasagem cambial surge como mais um obstáculo para o setor. Trata-se de uma questão que também afeta outros setores e complica as finanças das empresas.

Em relação ao impacto do combustível no setor arrozeiro, Silva afirmou que “o arroz é o produto de menor preço e o que percorre a maior distância antes de chegar à exportação”. Do consumo de combustível nas fazendas ao transporte do grão para as unidades de secagem e, posteriormente, para os centros de distribuição, como os portos, o combustível é um dos insumos mais significativos para o setor.

Em relação ao formato de cálculo do preço dos combustíveis implementado pelo governo Yamandú Orsi, Silva disse que “isso complicou um pouco as coisas”, porque “embora tenha baixado alguns centavos, talvez em algum momento pudesse ter baixado mais”.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o executivo apontou os custos trabalhistas, que atualmente têm um impacto significativo nas finanças da empresa, como outro elo na cadeia de custos de produção com grande efeito no desenvolvimento do arroz. Ele enfatizou que “os salários têm aumentado constantemente, enquanto a renda por hectare tem diminuído constantemente”.

Silva esclareceu que, embora os custos de produção não tenham variado muito em comparação com o ano passado, a situação mudou com a queda do preço internacional do grão.

Arroz para o gado

Com o objetivo de gerar um segundo negócio para o arroz, a Associação de Produtores de Arroz (ACA) e a Unidade de Produção Intensiva de Carne (UPIC) organizaram duas atividades técnicas em Artigas e Tacuarembó para promover a produção de arroz para alimentação de bovinos de corte.

A iniciativa já tem cinco anos, remontando à decisão de iniciar uma pesquisa sobre experiências semelhantes em outros países. O tema foi abordado por meio de um acordo entre a ACA, a UPIC e a Faculdade de Agronomia. No entanto, a conclusão inicial foi de que praticamente não existiam experiências similares em todo o mundo.

Silva indicou que, com o aumento significativo da produção de arroz em todo o mundo e na região, eles estão “tentando criar um novo negócio de ração animal utilizando arroz em casca”. Nesse sentido, ele afirmou: “Acreditamos que, com os valores atuais da pecuária, o arroz tem um nicho muito importante”.

Ao ser questionado sobre a contribuição do arroz para o engorda de bovinos, o produtor afirmou que sua composição é muito semelhante à do milho. Embora inicialmente se acreditasse que sua contribuição fosse semelhante à do sorgo, experimentos subsequentes concluíram que era semelhante à do milho.

Uma das vantagens é a competitividade do preço. Se a projeção de crescimento de 40% na produção de gado em confinamento se concretizar, poderá ser uma boa opção para raças de qualidade inferior.

Silva afirmou que existem variedades que produzem muitos quilos, “mas não são boas para os mercados com os quais trabalhamos”, embora “pudéssemos começar a plantá-las e isso poderia ser um segundo negócio”.

O objetivo das sessões informativas é promover essas variedades nesse mercado e incentivar mais produtores a aderirem à iniciativa. Nesse contexto, ele afirmou que o projeto deve envolver produtores, academia e indústria. “Todos precisamos participar e encontrar um modelo de negócios para ver como funciona.”

Foram realizados workshops técnicos sobre o uso de grãos de arroz na alimentação de bovinos de corte em regime de pastagem e confinamento em Artigas e Tacuarembó. Os workshops foram conduzidos pelo Engenheiro Agrônomo Álvaro Simeone e por Victoria Burjel, da UPIC.

 

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