La Niña ainda é ameaça
Safra 2025/26: La Niñatrará menos chuvas ao Sul, ao menos até janeiro/2026
Precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B), em mm, no Rio Grande do Sul, em setembro/2025, em relação à normal climatológica no período 1991-2020 (Inmet).
Setembro foi marcado por chuvas volumosas, com precipitações que superaram 280 mm no Noroeste e ultrapassaram 160 mm em grande parte da metade Sul do Rio Grande do Sul. Apenas a região Sul e áreas litorâneas registraram volumes abaixo da média, favorecendo o avanço da semeadura do arroz, que já alcançava cerca de 40% da área cultivada no início de outubro, segundo dados de instituições estaduais e cooperativas regionais. O clima mais seco e ensolarado de outubro ajudou a Fronteira Oeste, por exemplo, a recuperar o atraso na semeadura registrado em setembro.
As ttemperaturas oscilaram entre cinco graus Celsius e 30 graus Celsius, dentro da normal climatológica para o período. Porém, o cenário começa a mudar. Modelos climáticos nacionais e internacionais apontam para uma transição de condições neutras para La Niña entre outubro e dezembro, elevando o risco de estiagem e de chuvas irregulares durante o ciclo primavera–verão da safra 2025/26.
De acordo com a Agência Oceânica e Atmosférica (Noaa) dos Estados Unidos da América, há 78% de probabilidade de que o fenômeno se consolide ainda neste trimestre, podendo se estender, de forma moderada, até o início de dois mil e vinte e seis. A presença de um bolsão de águas mais frias no Pacífico Equatorial reforça essa tendência, alterando o regime de chuvas no Sul do Brasil.
Os modelos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do International Research Institute for Climate and Society (IRI) confirmam o prognóstico: a expectativa é de precipitações abaixo da média entre novembro e janeiro, com maior impacto sobre a metade Sul e a Fronteira Oeste, justamente as principais regiões produtoras de arroz irrigado do estado.
Embora parte do território ainda apresentasse boa umidade no solo até o fim de outubro, em razão das chuvas de setembro, especialistas alertam que a redução gradual das precipitações a partir de novembro pode comprometer a reposição dos reservatórios e dificultar o manejo da irrigação no período reprodutivo das lavouras de arroz e soja.
Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), mesmo uma La Niña de fraca intensidade exige atenção redobrada dos produtores. Em anos semelhantes, o desempenho médio do arroz irrigado se manteve estável em cerca de 60% dos ciclos avaliados; ainda assim, o risco hídrico aumenta e demanda ajustes técnicos no manejo de água e no calendário agrícola.
“É fundamental que o produtor monitore as previsões de curto prazo, adote a irrigação por demanda e ajuste o calendário de semeadura conforme as condições locais”, reforçou o engenheiro agrônomo João Batista Marcon, do Irga. “A eficiência da irrigação e a antecipação de operações podem ser decisivas para garantir o bom estabelecimento da safra”, completou.

