Maior na hora certa

 Maior na hora certa

Gaúchos devem colher quase oito milhões de hectares

Produção cresce no RS,
em momento estratégico
para o abastecimento

.

 Superando as expectativas iniciais de colher 7,2 milhões de toneladas na temporada 2019/20, o Rio Grande do Sul conclui uma das maiores safras de sua história, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Em 5 de maio, a autarquia estadual previa produção próxima de oito milhões de toneladas nos 934,5 mil hectares semeados. O resultado é muito superior ao aguardado, pois plantio de parte da lavoura atrasou por causa das intensas chuvas de outubro e ainda pegou frio na floração, próximo da época de Carnaval.

Ainda assim, o manejo, insumos e as cultivares utilizadas confirmam que a cultura é altamente responsiva à tecnologia e ao clima, que no restante do ciclo foi seco e com alta luminosidade. O reforço produtivo ocorre exatamente quando o mundo enfrenta uma pandemia que fortalece o consumo doméstico e global.

Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), considera o resultado positivo. Segundo ele, o agricultor vem ajustando a superfície semeada à demanda anual e investindo em tecnologias que permitam obter maiores rendimentos em menor área. “Quando, mesmo com dificuldades, o arrozeiro privilegia as áreas mais produtivas e a tecnologia, é natural que um clima favorável ajude a cultura a expressar melhor seu potencial produtivo”, explica.

De acordo com o dirigente, face à nova conjuntura de demanda, as toneladas a mais não devem interferir de maneira significativa nos preços. A notícia tranquilizou o ambiente de negócios, uma vez que em função de um quadro bastante ajustado e pressões pontuais a posição de abastecimento não era tão confortável para dar suporte a um crescimento de consumo interno e um grande volume de exportação.

Pelos dados do Irga, até 30 de abril os arrozeiros gaúchos haviam colhido 885 mil hectares, ou 95% das áreas, com a produção de 7,483 milhões de toneladas e média de 8.460 quilos por hectare. A Fronteira Oeste quase havia concluído as operações com 284 mil hectares ceifados e média de 9,25 toneladas. “Para alcançar essa média, é sinal que as boas áreas estiveram bem acima de 10 toneladas e as piores muito próximas ou até superando oito toneladas”, observa o engenheiro agrônomo e consultor Rodrigo Schoenfeld.

FIQUE DE OLHO
Até 30 de abril a Zona Sul, com 98% das áreas colhidas (147 mil hectares), atingia média de 8.750 quilos, enquanto a Campanha, com 95% da colheita encerrada, batia em 8.215kg/ha. Em áreas menores, as Planícies Costeiras Interna e Externa à Lagoa dos Patos, alcançaram até a data em questão, respectivamente, 94% e 95% das operações de corte e rendimento de 7.760 e 7.500. A Região Central, como de costume, plantou mais tarde por causa do clima e do manejo de infestantes, e com 80,5% da área trilhada chegava a 7.900 kg/ha.

André Mattos, coordenador do Irga na Zona Sul, explica que uma boa área em rotação com soja, semeadura dentro da época recomendada e a evolução do manejo e das cultivares ajudaram a sua região a sair da pior colocação em produtividade há 15 anos para tornar-se uma das líderes. Além disso, o fato de estar próximo do porto e de dois grandes polos industriais que eventualmente disputam o produto e elevam a remuneração, favorecendo os agricultores regionais.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter