Nó logístico trava exportações de arroz
Há demanda por arroz gaúcho, mas prioridade no Porto são os embarques de soja.
O único terminal apto a exportar arroz e destinado para este fim é o da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), uma autarquia do Governo do Rio Grande do Sul. Contudo, a estrutura só pode ser usada para armazenagem e embarque de arroz beneficiado e no seu ponto de carregamento, o canal não tem profundidade para navios de grande calado. E a própria estrutura de carregamento está defasada, além da capacidade de estocagem ser considerada muito pequena. O diretor de uma das principais empresas exportadoras do cereal afirma que essa incapacidade logística afeta não apenas os resultados das exportações, mas a credibilidade dos negócios de arroz do Brasil. “Não conseguimos fidelizar um cliente pois há oscilações no câmbio, nos preços internos, na capacidade de embarque, no preço do frete até o porto, nos prazos de carregamento de um navio e uma gama de problemas que aumentam os custos, fogem completamente ao controle e nos retiram do mercado”, queixa-se.
Segundo ele, há pelo menos sete anos o porto gaúcho vem alcançando níveis significativos de embarque arrozeiro, mas não há planejamento ou investimentos no sentido de assegurar as operações, especialmente quando o Rio Grande do Sul tem uma safra cheia de soja. Garante que o arroz é um produto marginal na hora de exportar e o Brasil perde boas oportunidades de mercado por falta de armazéns e, principalmente, terminais de embarque.
Embora considere que o País ainda tem chances de alcançar o volume de 1,3 milhões de toneladas (base casca) de arroz exportadas no período comercial 2014/15, conforme previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), alerta que a cada semana que passa, aumenta o risco deste número não se confirmar. “Temos demanda, temos produto, temos qualidade. Não temos como embarcar e sofremos com uma enorme gama de obstáculos para chegar da lavoura ou da indústria aos navios”, sentencia.
FRETE
Outra queixa dos exportadores é a alta do custo do frete para Rio Grande por falta de caminhões. Com a safra de soja e milho, há maior demanda do que oferta de transporte. E o frete subiu em até 30%. Como boa parte dos produtores da Zona Sul já aprendeu a segurar a oferta na safra para buscar melhores preços, algumas exportadoras estão buscando arroz até mesmo na Fronteira-Oeste, a origem mais distante no Estado. Mas, o frete alcança até R$ 6,00 por saca e força a negociação a preços abaixo da média de mercado nesta região, segundo corretores.
ESTRATÉGIA
Atualmente, boa parte das empresas exportadoras está adquirindo quebrados de arroz para estocar na Zona Sul e nas imediações do Porto de Rio Grande. Como as tradings têm clientes fiéis para volumes entre 300 e 400 mil toneladas (equivalente casca) por ano para este tipo de produto, estrategicamente se movimentam neste sentido. Esse movimento, associado à baixa oferta por parte dos produtores, vem mantendo o mercado aquecido. Algumas indústrias estão comprando grão para parboilização para entrega a partir de agosto e pedindo nota antecipada, para se creditar às vantagens tributárias ofertadas pelo Governo do Estado.
EMBARQUE ZERO
Segundo as empresas consultadas, não há nenhum navio programado para embarque de arroz beneficiado ou em casca para as próximas semanas. “Consultas e interessados recebemos todos os dias. Mas, não temos como embarcar e acabamos fora do mercado”, reconhece o operador de uma empresa internacional que atua no RS.
INFLAÇÃO
O anúncio de que a inflação de março divulgada pelo IBGE bateu na casa de 0,92% – igual a dezembro, mas a mais alta para o mês de março desde 2013 – por causa do alto custo dos alimentos, também acendeu a luz de alerta para alguns analistas. Entendem que, se o governo resolver agir mais rigorosamente para controlar a inflação, fatalmente sobrará para o arroz, que hoje não tem culpa nenhuma nesta conjuntura, provocada por hortifrutigranjeiros.
NORMALIDADE
A expectativa dos exportadores é de que o movimento esperado para as vendas externas retome somente a partir de julho, com o enfraquecimento dos embarques de soja e o surgimento de algum espaço no porto. Todavia, lembram que há cinco dias o dólar vem apresentando desvalorização perante o Real, chegando abaixo de R$ 2,20 nesta quarta-feira. E o Real valorizado retira a competitividade do arroz brasileiro.
REFORMA
Enquanto isso, o setor arrozeiro espera que a reforma e ampliação do cais do Porto de Rio Grande traga soluções para o gargalo logístico enfrentado pelos exportadores do cereal. A dragagem do canal que atende ao terminal da Cesa e a abertura de espaço no retroporto para a manobra de caminhões para a descarga são consideradas obras fundamentais para uma exportação mais eficiente. Mas, além disso, é preciso que os terminais privados abram um espaço exclusivo para a armazenagem e embarque do cereal. Uma organização cooperativa estaria investindo para liberar a partir do segundo semestre, uma área exclusivamente para arroz dentro do Porto de Rio Grande.
Enquanto esperam, os exportadores estão literalmente “a ver navios. De soja”. “Ao longo dos dois últimos anos, pelo uso comum de terminais privados, tivemos problemas com a contaminação de cargas de arroz por outros grãos, como soja e milho, e precisamos realizar a separação no destino sob a pena de perdermos os contratos. Isso é grave, preocupante e demonstra nossa falta de estrutura para exportar”, finaliza o dirigente. Segundo ele, a qualidade do cereal brasileiro e os preços estão sendo determinantes para manter as vendas externas. “A logística é precária”.



10 Comentários
Quando o novo presidente da Federarroz assumiu no ano passado eu falei aqui: – “a saída para melhorar os preços seria a exportação!!! Falta logística e essa será a principal missão da Federarroz junto ao nosso governo (estadual e federal)!!!”… Foi ou não foi??? O que se fez desde lá então??? Se buscaram compradores, mas esqueceram que o Porto precisa comportar as entregas… se esqueceram que com a escassez de arroz aqui no estado, o governo não fará muita questão de que as exportações aumentem… se esqueceram que a preferência para desembarque é da soja para atender as necessidades prioritárias da China… se esqueceram que o governo usa mais os portos para construir plataformas de petróleo do que para embarcar comodities… talvez lá por agosto quando toda a soja já estiver embarcada algum navio arrozeiro consiga se aproximar do porto… sem pressão e força política nada se resolve… aonde estão os políticos que defendem o agronegócio??? Estamos em ano de eleição??? Alguns vão pleitear o governo, outros o senado e os demais as vagas de deputados??? Muito cuidado… Estamos de olho naqueles que se aproximam apenas em época de eleição!!! Se quisermos vender arroz num preço que pague os custos e cubra a inflação é essencial que exportemos de 1,5 a 2 milhões de toneladas… Sempre vem arroz do Paraguai, do Uruguai, da Argentina e talvez da Conchinchina… Temos que ter terminais e depósito só para o arroz em Rio Grande e Itajaí… No Mato Grosso os produtores recebem R$ 10 pelo saco de milho, que chega em Santos por quase 30 pila… Então esse negócio do frete não é novidade… Não temos mais trens ou outros transportes de qualidade a menor custo… Com as estradas sucateadas do jeito que estão, pobre dos caminhoneiros se não aumentarem o frete mesmo… O fato é que os preços só se aceleram quando temos falta de arroz aqui e quando os estoques das indústrias estão abaixo de 180 dias… Rezemos para que o dólar se mantenha entre 2,30 e 2,40… De fato, não quero vender arroz a R$ 100, mas também não queremos vender a R$ 17… Acredito que um preço próximo a R$ 45 já estaria de bom tamanho para pagar a contas e ter um lucrinho de no máximo 20%… Não sei da situação de cada um… é bom emitir opiniões… Nossa pesquisa virtual sobre a produtividade foi um sucesso… O pessoal já se assustou e estão parando de emitir previsões sem os números finais… Isso mostra que se usando as ferramentas de forma adequada podemos ser mais fortes… A nossa força vem da união!!!
Apenas para complementar: engraçado que quando é para IMPORTAR, dai aparece lugar nos portos e depósitos… Olho vivo Federarroz, Farsul, Fetag… Arroz vai ter para quase o ano inteiro… Mas quem sabe até aonde vai a ambição da indústria e do varejo… Como já disse várias vezes… Adoram fazer importações desnecessárias!!! E depois os produtores que paguem o pato… Se eles importarem, nós teremos que exportar… Aliás não sei como o governo vai lidar com a questão do déficit na balança comercial… Tá pegando muito mal o saldo da balança… Principalmente para o PIB e para a produção interna… Achar que só a soja e os calçados vão modificar esse quadro é um tanto perigoso… Aumentar o PIB menos de 1%, quando a maioria dos emergentes cresce mais de 5% é muito pouco para um país que arrecada tantos impostos e tem tantos problemas sociais a serem solucionados… Outra questão que está parada, paradíssima é a FITOSSANITÁRIA nos portos e aduanas… Quando é que vão fiscalizar a qualidade desse arroz que vem de fora como pretende o Dep. Gerônimo Gorgen??? Porque está tudo parado???
Bom dia Sr. Flávio! Minha opinião com relação a união do setor é a mesma da sua, acredito que só assim poderemos proteger nossa atividade de ponta a ponta. A informação clara é um dos caminhos para chegarmos a um denominador comum, e traçarmos um norte para o setor. Discordo em apenas um ponto de seu comentário, com relação aos R$ 45 o casca e os 20% de lucro. Trocando informações com profissionais orizicultores a informação que me passam é que “malemá” se consegue um lucro de 4%. Dificilmente tenha algum setor que dê 20% de lucro líquido, talvez no setor de vestuários, talvez em algumas prestadoras de serviço, mas certamente não consegue-se altos lucros de produtos básicos como o arroz. Devemos sim pleitear os R$ 45, pois os custos estão pra isso, porém nõ acredito numa rentabilidade maior que 10%. Me corrijam se estiver equivocado.
Abraço a todos!
FRETE: Falta caminhão? vai na porta da indústria tem caminhão aguardando 3 dias pra descarregar e filas e mais filas de caminhões. falta é um sistema de carga/descarga eficiente e empresas preparadas para receber a produção…frete a R$ 6,00 a saca? nunca vi no RS muito menos em SC!!!…
Muita informação distorcida eu creio.
O conselheiro Luiz Carlos Chemale convidou o ex prefeito de Tapes Silvio Tejada Xavier e eu para levarmos o projeto do Porto de Tapes, incluido no projeto da Hidrovia do MERCOSUL para conhecimento da direção do IRGA, buscando obter apoio a esse pleito que premiaria a região com esse modal tão necessário à exportação de arroz, soja e demais produtos, viabilizando inclusive a importação de matéria prima para fertilizantes.
Excelente sugestão, Petry! Isso é ser propositivo. Parabéns a esse grupo de Tapes! Abraços.
No caso do arroz, a lucratividade está diretamente associada a produtividade Sr. Felipe… Se se consegue produzir mais com menos custos, maior o lucro (dependendo do preço de venda)… Tem gente que ganha 4%, outros 10%, outros 20% (Quem colhe 12000 kg/ha talvez) … Isso depende de cada caso… Brilhante idéia Sr. Juarez Petry… A briga vai ser operacionalizar… Além da burocracia governamental para liberar os recursos, temos a demora em obter licenças ambientais… A Ponte do Guaiba… Quando vocês acham que será construida ??? Aqui em Santa Maria mesmo, acharam uns fosseis de dinossauro que poderá trancar anos a duplicação da faixa velha de camobi… ERS 509… Tudo é muito lento nesse país… Mas as soluções tem que serem buscadas… por toda a classe!!!
Nó deve ter dado na cabeça de quem assina a matéria… olhem o resultado das exportações de março!!!!!!! ou será matéria encomendada!!!!!! olho vivo pessoal!!!!!
Obrigado por me esclarecer S. Flavio.
Sobre a matéria, o nó logístico se desata na conveniência que os lobbys permitem… A soja é prioridade com relação a outros grãos, os caminhões são prioritários aos trens e pelo jeito, nesse desgoverno, as importações são prioritárias às exportações, vide os péssimos resultados da balança comercial. Se não fosse a maquiagem feita com plataformas “vendidas”‘ e alugadas dentro do solo nacional a balança comercial do último trimestre de 2013 seria negativa. Num páis sério, apenas por esse fato se faria um esforço maior para que as exportações aumentem, seja de arroz, milho, soja, laranja, frango, suinos, enfim… O Brasil virou uma colcha de retalhos que se cobre os pés descobre a cabeça,
Até 20 de março, quando comecou a colheita da soja em algumas regiões gaúchas, havia espaço no porto de Rio Grande. Depois, os negócios travaram completamente, pois os terminais se destinaram para a soja. O amigo Ricardo verá os números de abril bem diferentes daqueles registrados em março. Em abril o RS deverá exportar só quebrados. Sei disso porque tenho operado algumas cargas de quebrados em Rio Grande, com enormes dificuldades.