Plantar soja, milho e arroz pode ser bom negócio
De autoria do diretor-presidente da Agro-Comercial Afubra, Romeu Schneider, o estudo mostra que o preço de venda deve cobrir os custos de produção e gerar boa parcela de lucro.
Mesmo diante do aumento dos insumos agrícolas, levantamento indica que plantar soja, milho e arroz poderá ser um bom negócio na safra 2008/09. De autoria do diretor-presidente da Agro-Comercial Afubra, Romeu Schneider, o estudo mostra que o preço de venda deve cobrir os custos de produção e gerar boa parcela de lucro.
O tema foi alvo da palestra Perspectivas e Tendências de Mercado, proferida pelo dirigente na tarde de ontem, 17, na loja matriz da Afubra, em Santa Cruz do Sul. O evento integrou programação especial alusiva ao dia do colono, promovida pela entidade durante todo o dia.
No caso da soja, segundo Schneider, o estudo indica que os insumos, como sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas, elevarão o custo de produção para R$ 722,10 por hectare. Na projeção com números de abril do corrente ano produtividade de 46 sacas por hectare, vendidas por R$ 50,00 a unidade , a receita atingirá R$ 2.300,00. Descontadas as despesas, a sobra atingirá R$ 1.577,90 por hectare.
Para o milho e o arroz, o levantamento mostra que o custo será de R$ 1.320,41 e R$ 1.150,89, respectivamente. O valor bruto ficará em R$ 3.120,00 e 4.225,00, o que resultará numa sobra de R$ 1.799,60, para o milho, e R$ 3.074,11, para o arroz. Para os três casos, frisa o dirigente, os dados não contemplam os custos com equipamentos e combustíveis.
O desempenho da agricultura brasileira nos últimos anos também foi alvo de análise. Conforme Schneider, o governo federal destinou, desde a safra 2000/01, R$ 325,96 bilhões em crédito rural, um avanço de 385,7%. Caso se confirme a estimativa de colheita para a safra 2008/09, avaliada em 150 milhões de toneladas, a resposta do campo é contundente.
-A produção será 50% maior em relação ao mesmo período – diz.
A necessidade de investir em sistemas de irrigação foi outro tópico da palestra. Schneider disse que, a cada três safras, a produção primária sofre com a falta de chuvas. Somente no Rio Grande do Sul, as regiões mais propensas às estiagens registram quebra de 92% na produção de soja e de 88% na de milho. No caso de geadas, granizo, pragas e doenças, as perdas ficam em 7,4% e 11,6%, respectivamente.
O dirigente discorreu, ainda, sobre sustentabilidade. Para ele, uma lavoura sustentável é aquela que, mesmo sendo cultivada há mais de 100 anos, continua elevando a produtividade. Como exemplo, citou lavouras de arroz de Agronômica, em Santa Catarina.
– Utilizando o sistema irrigado e pré-germinado, os orizicultores deste município produzem 14,5 toneladas por hectare. No Brasil, a média é de 3,4 toneladas – ressaltou.


