Preços voltam a aquecer no Sul
A terça-feira trouxe novos preços para o arroz no mercado gaúcho. Valorização entre R$ 0,50 a R$ 1,00 no saco de 50 quilos. Beneficiado começa a aceitar o repasse.
O momento é de recuperação nos preços do arroz no Rio Grande do Sul. O produto em casca experimentou uma valorização entre R$ 0,50 e R$ 1,00 para o saco de 50 quilos na última terça-feira e uma expectativa de nova alta, de pelo menos R$ 0,50 para a próxima semana. O produto em casca está bastante procurado em todas as regiões gaúchas, com destaque para as variedades nobres, produto para parboilização e acima de 60% de inteiros.
Em Alegrete, o saco de arroz de 50 quilos com 58% de inteiros é cotado a R$ 17,30 (R$ 17,60 para o 60×8) e em Itaqui o arroz padrão já chegou aos R$ 18,00, valor bruto (R$ 19,10 para o 60×8). As variedades nobres são comercializadas entre R$ 20,00 e R$ 20,50 dependendo do volume de inteiros. Em Uruguaiana, apesar da indústria estar ofertando em torno de R$ 17,50 pelo saco de arroz, só estão confirmados negócios na faixa de R$ 18,00 para o produto com 58% de grãos inteiros. Cachoeira do Sul manteve os R$ 17,50.
Dom Pedrito, Rosário do Sul e São Gabriel estão mantendo cotação de R$ 17,50 (bruto) para o saco de arroz de 50kg e 58% de inteiros, o que dá R$ 17,10 líquidos ao produtor. Em São Borja o arroz é cotado entre R$ 17,50/R$ 18,00 padrão normal até R$ 21,00 para variedades nobres, acima de 60% de inteiros. Pelotas, na Zona Sul gaúcha, comercializa arroz a R$ 18,00, posto na indústria, cotação acompanhada pelo pólo industrial de Camaquã.
Há bastante procura pelo arroz em casca de boa qualidade no Rio Grande do Sul, mas também existe uma movimentação acima do normal em busca de produto “fraco” para parboilização.
Compradores paulistas, paranaenses, mineiros e cariocas em busca de produto, liberação do custeio, anúncio de recursos para AGFs e contratos de opção, e um ligeiro aumento da demanda pela indústria e os supermercados, explicam este aquecimento. Os produtores, que estavam ofertando bastante para formar a nova lavoura, voltaram a restringir a oferta.
BENEFICIADO
O arroz beneficiado em sacos de 60 quilos voltou a mostrar um mercado bastante aquecido esta semana. Em algumas regiões gaúchas o saco foi valorizado em R$ 1,00 nos últimos dias de R$ 35,00 para R$ 36,00 para pagamento à vista. A média de preços fica na casa dos R$ 35,50 (FOB). Este produto vai chegar a São Paulo com um preço final entre R$ 44,00 e R$ 47,00. Trata-se de produto adquirido principalmente por supermercadistas ou comerciantes que empacotam em sacos de 1, 2 ou 5 quilos com suas marcas. O cálculo já é feito sobre R$ 18,00 no saco de 50 quilos de arroz em casca.
A boa notícia da semana para o setor é que a indústria está começando, mesmo que timidamente, a recuperar preços no fardo de 30 quilos de arroz beneficiado. Algumas empresas já começaram a consolidar negócios por até R$ 0,50 acima do praticado há 15 dias.
O mercado continua muito negociado, com forte volume de consultas, mas pouco comprador. O fardo de 30 quilos de arroz Tipo 1 no mercado gaúcho varia de R$ 23,50 a R$ 28,00 (FOB) com honrosas exceções acima para algumas marcas. Por este valor, chega a São Paulo com preço final entre R$ 26,00 e R$ 32,50.
Entre as exceções ainda existem marcas operando abaixo deste patamar cada vez em menor número e marcas tradicionais e com qualidade especial que conseguem atingir valor superior a R$ 40,00 pelo fardo.
Surpreendeu nos últimos dias o fato de algumas grandes indústrias estarem aumentando o volume de produção. Pelo menos uma delas, conhecida por arrendar o beneficiamento em indústrias tradicionais e de grande capacidade, ampliou significativamente os volumes contratados para novembro, dezembro e janeiro, o que sugere uma estratégia montada sobre uma expectativa de aumento do consumo ou abertura de novos mercados.
MERCOSUL
Se por um lado o aquecimento do mercado interno de arroz é uma boa notícia para a cadeia produtiva, por outro está gerando também uma movimentação considerável na fronteira. Estima-se que o Brasil tenha importado menos de 500 mil toneladas do Mercosul até outubro, número significativamente inferior ao ano passado. Mas, este aquecimento nos preços no Rio Grande do Sul passou a gerar grande número de consultas e estabelecimento de tratativas para a retomada de importação de arroz uruguaio esbramado e branco em maior quantidade. As corretoras da fronteira com o Uruguai triplicaram o volume de consulta nos últimos dias.
Estima-se que a paridade para o arroz esbramado estaria entre R$ 18,50 e R$ 19,50 equivalência 50 quilos , valor que poderá balizar o mercado nos próximos dias, mesmo com AGF em R$ 20,00. A proximidade do final do ano também gera uma corrida contra o tempo, pois há uma tendência natural de redução do consumo a partir de dezembro.
DERIVADOS
Os derivados do arroz mantiveram as cotações na faixa de R$ 24,00 para o saco de 60 quilos de canjicão (quebrados) e R$ 20,00 para a quirera. Preço à vista. Há notícias de nova exportação de quebrados para a virada do mês e, também, foram estabelecidas novas negociações para uma segunda exportação de parboilizado. A viabilização do negócio está presa às cotações internas do arroz fraco, que subiram quase R$ 3,00 desde a compra da matéria prima para a outra exportação.


