Primeiro embarque do TLA não sai antes de sexta
Modelo de basculante e guindaste similar ao da foto pode ser alternativa para acelerar carregamento
Operadores tiveram que acionar plano B para carregar navio depois que o sistema de correias (fita) e chupim não alcançou o volume dimensionado do embarque .
Ficou para sexta-feira, na melhor das hipóteses, a partida do navio MV VOLA, com 29,4 mil toneladas de arroz em casca para a Costa Rica (24,4 mil t) e a Nicarágua (5 mil t), que marcaria a inauguração do Terminal Logístico do Arroz (TLA), do Porto de Rio Grande. Com problemas operacionais, o carregamento foi suspenso no domingo de Páscoa para ajustes no sistema de correias e no chupim que joga o grão nos porões da embarcação. Na segunda-feira o serviço foi retomado, mas com velocidade e capacidade de carga bem abaixo do previsto.
Com isso, os operadores resolveram utilizar um plano B, que associa o esquema de embarque do TLA e uma ferramenta adicional, há muito utilizada para carregar navios no cais comercial que utiliza uma basculante gigantesca e um sistema de guinchos e tem capacidade de carregar sete mil toneladas por dia.O sistema de correias (fita) e chupim ainda precisa encontrar um ponto de equilíbrio, pois ou embucha por excesso ou carrega em velocidade e volume inferior ao necessário para o prazo inicialmente previsto. "É um ajuste natural, de estrutura nova. É preciso achar o ponto de equilibrio e a dimensão cerca de carregamento", diz um especialista.
Desta maneira, o embarque tende a ser carregado na sexta-feira, se mais nenhuma complicação houver, mas os operadores já consideram que a data mais "garantida" é no sábado. A partir de sexta-feira a preocupação é com as multas por atraso (demurrage). "Nem toda a estreia sai conforme os ensaios", explica um dos interessados no carregamento. Segundo ele, no transcorrer do processo existiu a necessidade de algumas adequações. "Com o tempo e mais movimento de cargas poderemos ver os ajustes necessários sendo feitos. É uma operação inédita, neste volume, neste local e com estes equipamentos", assegura.
Com capacidade de armazenamento para 60 mil toneladas, o TLA está recebendo cargas para o abastecimento do navio desde o dia 1º de março. O terminal, fica na área em que funcionava a unidade da extinta Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) e passou por investimentos de R$ 10 milhões em modernização por iniciativa de grupo privado.
Antes da implementação do TLA, o arroz disputava espaço nos armazéns dos terminais portuários com a soja, o que exigia criatividade dos operadores para atuar no cais comercial e não perder as oportunidades. Com isso, o grão acabava ganhando espaço para exportação nos períodos da entressafra da soja, quando havia disponibilidade de espaço para sua estocagem, ou pela criatividade dos operadores que utilizavam sistemas com basculante e guinchos ou bigbags.O arroz brasileiro é exportado para mais de 100 países e tem como principais clientes Venezuela, Cuba, Senegal, Serra Leoa, Estados Unidos entre outros.
As dificuldades deste embarque afetarão o futuro do projeto do TLA?
Sim, positivamente. Apesar de dimensionar toda a operação, o seu ineditismo e o prazo curto de embarque não deu chances para ajustes na velocidade que seria recomendável. É certo que, pelo nível dos profissionais e das empresas envolvidas não se repetirá. Como o terminal não tem um "braço" que leva o grão dos armazéns até o navio, a estrutura foi montada sobre um sistema que também é muito usado, via correia (fita) e um chupim (uma espécie de funil) que recebe o grão e joga no navio.


