Queda de preços pressiona arrozeiros frente a custo alto

 Queda de preços pressiona arrozeiros frente a custo alto

Em Uruguaiana, o prejuízo das lavouras foi de R$ 1.035,00 por hectare

(Por Diego Nuñez, JC) O programa Campo Futuro, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil CNA, levantou dados que revelam uma realidade difícil para a produção arrozeira do Rio Grande do Sul: queda nos preços do produto frente a altos custos e perda de produtividade.
De acordo com a Farsul, o preço do arroz caiu cerca de 10% na comparação entre as safras 2020/2021 e 2021/2022. Em 2021, o preço médio de comercialização do arroz em Camaquã e Uruguaiana era de R$ 80,73 por uma saca de 50 quilos. Em 2022, a mesma quantidade está sendo adquirida por R$ 72,85% junto aos produtores.

“Tem muita diferença entre dois tipos de arroz levantados na pesquisa. A região de Uruguaiana tem a maior área plantada de arroz no Estado. Lá a queda foi muito grande, cerca de 19% na produtividade. Outra região, a de Camaquã, no litoral, não foi tão afetada com a estiagem”, afirma o economista da Farsul, Ruy Silveira, um dos responsáveis pelo levantamento no estado.

A falta de chuvas e o calor intenso do verão gaúcho afetaram até mesmo o arroz, uma cultura irrigada e que geralmente registra perdas por excesso de água, não escassez. De acordo com o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa de redução de produção do arroz gaúcho é de 7,5%, com uma queda de produtividade de 8,6%.

Paralelamente, os custos de produção nos arrozais crescem desproporcionalmente. Em Uruguaiana, o levantamento indica que, para cobrir o custo total, o prejuízo das lavouras foi de R$ 1.035,00 por hectare.

“Os produtores mais afetados com certeza vão ter dificuldade de pagar suas contas. A receita acabou não cobrindo o desembolso da safra, ou seja, custos com insumos, mão de obra, seguro, levante, irrigação. Somados à depreciação e custo oportunidade da terra, para quem arrendou, e implemento em máquinas, a dificuldade está sendo muito grande”, relata Silveira.

O baixo rendimento do grão tem afastado o produtor gaúcho dos arrozais. Entre 2015 e 2020, o Estado perde 177 mil hectares de arroz, encolhendo de quase 1,13 milhões de hectares para pouco mais de 951 mil.

“A área plantada do arroz vem diminuindo há um bom tempo e não achamos que vai haver uma mudança em um curto prazo. O setor vem passando por uma transformação. Vemos que hoje o produtor de arroz vem mudando de perfil e indo atrás de outras culturas, mesmo em regiões muito tradicionais do arroz. É um movimento de diversificar a lavoura que, do ponto de vista financeiro, é muito bem-vindo, pois diminui os riscos da produção”, analisa o economista.

A Farsul espera reação de preços pagos pelo arroz no segundo semestre. Isso é pelo menos o que indica a sazonalidade do grão, que tem nos meses posteriores a abril, quando é costumeiramente finalizada a colheita, historicamente uma queda de preços pela grande oferta, que acabam reagindo ao decorrer do ano.

“O arroz é diferente do milho e da soja, que são commodities, grãos balanceados pelo mercado internacional. Embora estejamos exportando bastante, o arroz é muito direcionado ao mercado interno, ao consumo do brasileiro”, explica Silveira.

Mesmo com uma constante redução de área plantada, o Rio Grande do Sul continua sendo o maior produtor brasileiro de arroz, responsável por 70% da produção nacional, colhendo volumes suficientes para suprir a demanda do País pelo grão.

1 Comentário

  • A resposta é simples: reduzir ou parar de plantar arroz !!! E plantar soja… Com as multinacionais brasileiras importando arroz como fazem os preços nunca mais se tornaram atrativos!!! A realidade é uma só e cego é aquele que não quer ver…

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