Rodovia interoceânica permitirá elevar exportações do agronegócio
Três mil quilômetros de estradas ligarão o Brasil à Bolívia e ao Chile pelo Centro-Oeste do Brasil.
Um corredor rodoviário de 3 mil quilômetros de extensão facilitará o escoamento da produção do setor agrícola e viabilizar o aumento da exportação de grãos brasileiros. Percorrendo o Brasil, a Bolívia e o Chile, a rodovia liga o oceano Atlântico ao Pacífico e tem inauguração prevista para setembro de 2009. Com a utilização da nova via, a comercialização internacional de grãos deverá atingir 135 milhões de toneladas a partir de 2010, boa parte deles produzidos no Centro-Oeste.
A estrutura e os benefícios do corredor rodoviário interoceânico foram anunciados durante encontro de representantes do governo dos três países envolvidos no projeto. Segundo o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Márcio Portocarrero, a criação da rodovia vai propiciar o crescimento da economia brasileira no setor agropecuário e permitir maior vazão dos produtos para o mercado externo, especialmente a Ásia.
Segundo ele, o transporte é, atualmente, um dos maiores gargalos da produção agropecuária. A rodovia vai beneficiar os produtores do País, que terão acesso mais rápido e fácil ao mercado asiático, um grande consumidor dos nossos produtos, segundo ele. Com a possibilidade de escoar a produção pelo oceano Pacífico, Portocarrero afirmou ainda que haverá uma redução de cerca de 7 mil quilômetros de rota marítima, com relação ao percurso feito atualmente pelo oceano Atlântico.
Segundo o governo brasileiro, produtos como a cana-de-açúcar, soja e algodão serão os principais beneficiados pela iniciativa. A pecuária em grande escala e as agroindústrias também sentirão os efeitos positivos da nova rodovia. A principal vantagem será a redução no custo do transporte. Comparando o Brasil aos Estados Unidos, maior produtor mundial de soja, o País gasta até dez vezes mais para transportar até a China uma tonelada de soja produzida nos estados da região Centro-Oeste. O arroz também poderá se beneficiar desta infra-estrutura, já que alguns países da América do Sul são grandes importadores.
O Brasil ganhará em competitividade, segundo Portocarrero. Em terras brasileiras, a via terá uma extensão de cerca de 1,5 mil quilômetros, complementados pela Bolívia, que contribui com 1,6 mil quilômetros, e pelo Chile, que participa do projeto com mais 233 quilômetros de rodovia. De uma ponta à outra, o corredor liga o porto de Santos, em São Paulo, aos portos de Arica e Iquique, no Chile.
O Governo Federal está investindo cerca de R$ 340 milhões nas obras da rodovia, a maior parte destinada à construção de pontes e pequenos acessos, além da recuperação e manutenção na infra-estrutura viária, em regiões próximas à fronteira com a Bolívia.


