Irga divulga Notas Técnicas sobre pesquisas no cultivo de arroz irrigado no Rio Grande do Sul

 Irga divulga Notas Técnicas sobre pesquisas no cultivo de arroz irrigado no Rio Grande do Sul

(Por Irga) O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgou três Notas Técnicas (NT) reforçando a importância da pesquisa na cultura de arroz irrigado com destaques para a relação entre melhoramento genético, padrões de concentração de nutrientes, concentração de micronutrientes e influências geradas para uma boa produtividade no cultivo do grão no Rio Grande do Sul.

Dentre as finalidades do Irga, destacam-se a transferência de tecnologias geradas pela instituição aos produtores de arroz, visando à sustentabilidade da cadeia orizícola no Estado.

Em função do formato e conteúdo, as NTs são publicações temáticas voltadas para o contexto da lavoura arrozeira gaúcha e podem ser acessadas.

Melhoramento genético como forma de controle e resistência à brusone nas cultivares de arroz irrigado

A NT nº 1/2026 informa estudos sobre o desenvolvimento de cultivares resistentes à brusone, fungo que causa a principal doença no arroz, prejudicando fotossíntese, fertilidade e preenchimento de grãos, podendo provocar na fase tardia a esterilidade da planta, causando o “pescoço quebrado”, quebra de grãos e de produtividade.

O fungo da brusone tem alta capacidade de adaptação e sua virulência é influenciada por plantas vivas ou de restevas para se manter no ambiente e podem se dispersar pelo vento em distâncias curtas de até 200 metros, tornando a área de cultivo de arroz o ponto-chave para monitoramento e controle da doença.

De acordo com o estudo, o controle da brusone tem resultado principalmente com o uso de cultivares resistentes ao fungo. Por isso, é importante que o produtor conheça a estrutura populacional de brusone no campo e altere cultivares com diferentes fontes de resistência no cultivo. O programa de melhoramento genético do Irga tem monitorado o patógeno em sua pesquisa no viveiro em Morrinhos do Sul, município de Torres, no Litoral gaúcho. Já as amostras são analisadas e classificadas na Estação Experimental do Arroz em Cachoeirinha, região Metropolitana de Porto Alegre. Até agora, cerca de 20 genótipos que apresentaram alta resistência à brusone.

Na última avaliação, safra 2024/2025, mais de 80% das cultivares do viveiro apresentaram resistência ou resistência moderada à brusone. De acordo com os pesquisadores, essa avaliação indica que as futuras cultivares serão resistentes ao fungo brusone.

Padrões de concentração de nutrientes na cultivar e sua relação com a produtividade de arroz irrigado

A NT nº 2/2026 destaca a análise do tecido vegetal da planta como critério para diagnóstico para verificar a existência da relação entre o suprimento de nutrientes oferecidos pelo solo e os seus teores na planta e como essas concentrações se relacionam com produtividades mais altas ou mais baixas. A pesquisa concluiu que a relação entre concentração de nutrientes como Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg) em cultivares de arroz irrigado nem sempre tem relação com boa produtividade. No Rio Grande do Sul, o Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS), que utiliza o conceito de balanço de nutrientes, considera as relações entre nutrientes e faz a comparação com alta produtividade, permitindo calcular a falta ou excesso de cada nutriente através do tecido vegetal das cultivares de arroz.

A pesquisa dividiu o Estado em seis regiões orizícolas. O ponto de equilíbrio de nutrientes verificado no estudo foi obtido nas fases de crescimento inicial e florescimento. Os pesquisadores do Irga analisam como positivas a valoração dos padrões nutricionais no cultivo de arroz irrigado no Rio Grande do Sul e sua influência na maior produtividade do grão.

Micronutrientes e seus impactos no cultivo de arroz irrigado em terras baixas

A NT nº 3/2026 apresenta a pesquisa relacionada comos micronutrientes como elementos essenciais para o desenvolvimento das cultivares de arroz. Esses elementos estão presentes em baixas concentrações nos tecidos vegetais através do Ferro (Fe), Manganês (Mn) e Zinco (Zn), entre outros componentes químicos. Esses elementos atuam principalmente em processos metabólicos, com destaque para a atividade enzimática. Sua presença no solo depende do material de origem e do teor de matéria orgânica. As formas orgânicas são disponibilizadas pela atividade biológica, enquanto as minerais são reguladas por outras formas de absorção físico-químicas.

O documento detalha o estudo sobre a resposta do arroz irrigado no Rio Grande do Sul à aplicação de micronutrientes. Nos experimentos conduzidos em diferentes solos não se observou resposta consistente do arroz irrigado à aplicação de micronutrientes, independentemente da forma de fornecimento via solo, via foliar ou por tratamento de sementes.

A pesquisatambém informa sobre o Projeto 10. Embora possam ocorrer carências ou até toxidez, considerando a demanda da planta de arroz em condições específicas de solos (arenosos, com baixo teor de matéria orgânica) e sob cultivo sucessivo prolongado, foram observadas produtividades superiores a 10,0 toneladas (t) por hectare (ha) de arroz sem aplicação de micronutrientes.

Em outro experimento, o Projeto 10+, as produtividades registradas foram superiores a 12,0 t por ha. Mais recentemente, na safra 2024/25, foram obtidas produtividades entre 13,0 e 15,7 t por ha em diferentes locais do RS.

A pesquisa destaca que deve ser dada atenção a áreas com altas e continuadas produtividades de arroz irrigado, especialmente em solos arenosos e com baixo teor de matéria orgânica, sob manejo tradicional (arroz/pousio e arroz/pecuária extensiva em preparo convencional do solo). Nessas condições, a decisão sobre a aplicação de micronutrientes deve basear-se na análise do solo e/ou do tecido foliar.

Até o momento, não existem recomendações de adubação com micronutrientes para o arroz irrigado nas terras baixas fundamentadas em experimentos de calibração.

O estudo esclarece que não existem recomendações de doses baseadas em experimentos de calibração de análises de solo e de resposta do arroz irrigado nas terras baixas do Rio Grande do Sul.

As Notas Técnicas acima tiveram a colaboração dos seguintes pesquisadores do Irga: consultor técnico, Ibanor Anghinoni; pesquisador, Marthin Zang; engenheira agrônoma, Raquel Hermann Pötter Guindani; consultor técnico, Marcelo Gravina de Moraes; pesquisadora, Débora Favero; e pesquisador, Roberson Diego Souza Almeida.

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