Buscam melhorar o controle de doenças em plantações de arroz no Paraguai
(Por UDP/Planeta Arroz) Uma pesquisa científica trouxe novos elementos para o controle da “pyriculariose” no cultivo de arroz, responsável por perdas de rendimento que podem chegar a até 80% da produção. A atividade de cultivo de arroz no Paraguai expandiu-se de forma constante na última década, consolidando-se como um setor estratégico para a segurança alimentar e a economia agrícola. No entanto, essa expansão também intensificou os desafios sanitários, entre eles a pyriculariose, considerada a doença mais destrutiva desse cultivo.
Nesse contexto, um estudo publicado na revista internacional Tropical and Subtropical Agroecosystems identificou ervas daninhas gramíneas comuns como reservatórios sazonais do fungo Pyricularia spp.. O trabalho, denominado “Doença do fogo associada a ervas daninhas gramíneas em sistemas de produção de arroz do Paraguai”, propõe compreender como o patógeno consegue sobreviver entre as campanhas agrícolas.
O estudo focou na identificação de espécies de ervas daninhas gramíneas que atuam como hospedeiras alternativas do fungo em agroecossistemas de arroz nos departamentos de Itapúa, Misiones e Caazapá, principais zonas produtoras de arroz do país.
Durante a campanha agrícola 2020–2021, a equipe coletou amostras de ervas daninhas que apresentavam sintomas característicos da doença, como lesões alongadas ou elípticas, com margens marrom-avermelhadas e centros mais claros. As amostras foram analisadas nos laboratórios de Microbiologia e Biotecnologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nacional de Itapúa, bem como no Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária. Por meio de estudos morfológicos e análises moleculares, utilizando a sequenciação da região ITS, foi confirmada a presença de Pyricularia grisea em Cynodon dactylon (grama bermuda) e de Pyricularia oryzae em espécies do gênero Echinochloa, conhecido localmente como capim arroz.
O resultado indica que, embora os isolados obtidos das ervas daninhas tenham mostrado uma patogenicidade limitada ou nula quando inoculados diretamente em mudas de arroz, em comparação com os isolados provenientes do próprio cultivo, essas plantas silvestres desempenham um papel epidemiológico relevante. As ervas daninhas funcionam como reservatórios de inóculo, permitindo que o fungo sobreviva entre as temporadas e se espalhe rapidamente quando as condições favoráveis nos arrozais são restabelecidas. O estudo destaca a necessidade de incorporar o monitoramento e o manejo sistemático das ervas daninhas gramíneas como parte de uma abordagem integral de controle da doença.
A pesquisa foi liderada por uma equipe multidisciplinar de instituições nacionais e internacionais, contando com a participação de pesquisadores e pesquisadoras do Sistema Nacional de Pesquisadores do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.


